Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Bronzeamento artificial pode aumentar risco de câncer de pele

A Comissão Européia (CE) advertiu que os aparelhos de bronzeamento por raios ultravioleta podem aumentar o risco de câncer de pele e de melanoma ocular. A comissão recomendou que pessoas de grupos de risco não os usem e tentará fazer com que o nível máximo de radiação das máquinas seja reduzido. (Leia Mais)

Terça, 25 de Julho de 2006 às 06:43, por: CdB

A Comissão Européia (CE) advertiu que os aparelhos de bronzeamento por raios ultravioleta podem aumentar o risco de câncer de pele e de melanoma ocular. A comissão recomendou que pessoas de grupos de risco não os usem e tentará fazer com que o nível máximo de radiação das máquinas seja reduzido.

Estão incluídas no grupo de risco pessoas que têm pele clara - com tendência a sofrer queimaduras solares - com sardas ou manchas na pele, ou que tenham histórico familiar de melanoma. Além disso, e como o risco de melanoma é particularmente alto quando se usam aparelhos ultravioletas em crianças e adolescentes, os aparelhos não deveriam ser usados por menores de 18 anos.

A CE também pediu às autoridades nacionais e ao setor (fabricantes e salões de bronzeamento) que as máquinas de raios ultravioletas incluam advertências e instruções adequadas para os usuários. Segundo Philip Tod, porta-voz de Saúde da CE, a advertência se baseia em um relatório emitido pelo Comitê Científico de Produtos de Consumo.

O relatório científico, de 43 páginas, não inclui números concretos sobre os afetados porque o uso destes aparelhos não estava difundido até a década de 90 e seus efeitos plenos sobre a saúde "ainda não são conhecidos".

Por isso, reconhece-se que serão necessários "vários anos" até que os detalhes sobre os efeitos sejam conhecidos, já que o câncer tem um longo período de desenvolvimento. Tod, entretanto, disse que o relatório inclui um cálculo aproximado de que os efeitos do uso de aparelhos de raios ultravioleta podem causar uma média de cem mortes por ano no Reino Unido.

- Estou preocupado porque o uso indiscriminado destes aparelhos de bronzeamento para efeitos cosméticos pode levar a uma maior incidência de casos de câncer de pele - afirmou o comissário europeu de Saúde, Markos Kyprianou, em comunicado.

Além das advertências aos consumidores, a CE trabalhará dentro dos comitês de padronização técnica, independentes da União Européia (UE), para reduzir os limites máximos de radiação destes aparelhos.

Atualmente não existem regras de padronização para o uso da radiação ultravioleta nesses aparelhos. A CE não tem poderes para obrigar a indústria a agir desta ou daquela maneira, como reconheceu o porta-voz da Indústria na CE, Gregor Kreuzhuber.

No entanto, segundo a normativa de "baixa voltagem", todos os aparelhos elétricos vendidos dentro da UE "devem ser seguros", e é sobre este pressuposto que a comissão trabalha para "mudar o padrão" dos limites de radiação.

A CE já trabalha na elaboração de advertências em todas as línguas da União Européia. Kreuzhuber confia em que, com a advertência aos usuários e o trabalho com a indústria e com os salões de bronzeamento, será feito um uso melhor dos aparelhos. O relatório científico diz que "as coisas não podem continuar como estão".

Tod acrescentou que o risco é maior quando se soma o uso de máquinas de bronzeamento à exposição aos raios solares, já que "há um efeito acumulativo" que representa "um fator de risco" para as pessoas com maior risco de sofrer câncer de pele.

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