Wall Street pode estar em queda em meio à recessão econômica global, mas apenas seis quilômetros ao norte, os teatros da Broadway na mesma Manhattan continuam a atrair multidões, como acontece há décadas durante fases de recessão.
Algumas pessoas podem achar difícil acreditar que a Broadway vem se mostrando tão resistente, mesmo diante do desemprego crescente e dos prejuízos recordes sofridos por algumas das maiores empresas norte-americanas.
Há seis meses, as previsões traçadas para a Broadway eram sombrias. As manchetes dos jornais diziam coisas como "Broadway se prepara para enfrentar consequências da recessão" e "Recessão deve deitar a pá de cal sobre a Broadway."
Até agora, porém, não há sinais de que a Broadway, que sobreviveu à queda econômica pós-11 de Setembro e a uma greve prolongada de auxiliares de palco em 2007, esteja acabada.
Charlotte St. Martin, diretora-executiva do grupo industrial Liga da Broadway, analisou 30 anos de dados sobre bilheterias de teatros da Broadway em períodos de recessão e concluiu que a rua dos maiores teatros de Nova York tem sido virtualmente imune aos problemas econômicos.
– Quando há um ótimo produto, as pessoas vão ao teatro. Quando não há, elas não vão. –
St. Martin disse que muitos americanos podem estar desistindo de passar férias na Europa ou outros destinos e em lugar disso viajando a Nova York para assistir a espetáculos da Broadway, onde podem curtir algumas horas de "fuga da realidade".
O crítico de teatro Adam Feldman, da Time Out New York, disse que uma série de resenhas críticas positivas e o tamanho limitado dos teatros estão ajudando a manter ativo o cenário da Broadway.
Entre as mais bem-sucedidas das produções novas está um revival do musical de rock tribal de 1967 Hair. O espetáculo já faturou mais de US$ 7 milhões desde que as apresentações começaram, em março, segundo dados da Liga da Broadway.
Uma nova produção do musical West Side Story (Amor, Sublime Amor), de 1957, já arrecadou quase US$ 13 milhões desde janeiro.
Os turistas são a maior parte do público, disse St. Martin. Turistas americanos e estrangeiros formam estimados 65 % do público da Broadway.
Há também a presença de astros e estrelas.
– Não me recordo de nenhuma outra temporada em que tivemos na Broadway tantos atores premiados com o Oscar, o Emmy ou o Tony –, disse St. Martin.
– Assim, mesmo que os espetáculos não sejam muito conhecidos, muitos dos astros são.–
Feldman diz que os produtores que encenam produções em um das várias dezenas de teatros da Broadway estão se tornando mais conservadores em função da crise econômica, adotando um novo modelo econômico.
Em vez de investir US$ 10 a 15 milhões num grande musical novo, na expectativa de lucrar US$100 milhões, os produtores estão investindo US$ 3 milhões numa peça e prevendo lucrar US$ 4 milhões.
– Isso significa produzir um espetáculo de modo conservador. Você produz uma boa peça que gere entusiasmo e repercussão, que esgote sua temporada limitada prevista, e o enche de bons atores que atraiam público.–, disse ele.
Dois exemplos desse modelo novo e mais conservador são um revival do drama de Eugene Ionesco Exit the King, no estilo do teatro do absurdo, estrelado pelos premiados com o Oscar Geoffrey Rush e Susan Sarandon, e a comédia de Yasmina Reza God of Carnage, com Jeff Daniels e o premiado com o Emmy James Gandolfini.
As duas produções vêm sendo elogiadíssimas e continuam a lotar teatros, meses depois de estrear.
Mas nem todas as produções da Broadway vêm se dando tão bem. Algumas que atraíram críticas positivas estão tendo dificuldade em atrair público grande, porque há tantas peças na Broadway entre as quais escolher. Isso, segundo St. Martin, é apenas "negócios como eles são".