Os britânicos começaram nesta quinta-feira a votar na eleição que promete ser a mais acirrada desde 1992. As pesquisas finais publicadas em seis jornais dão ao Partido Conservador uma margem de seis a nove pontos percentuais sobre seus rivais trabalhistas, mas dificilmente a oposição de centro-direita conseguirá formar maioria absoluta no Parlamento.
Os conservadores passaram anos com vantagem folgada nas pesquisas, sob a liderança do carismático ex-executivo de relações públicas David Cameron. Desde o início do ano, porém, essa margem vem caindo, e nas últimas semanas o cenário ficou ainda mais complexo com a ascensão do centrista Partido Liberal Democrata, impulsionada pelo bom desempenho de seu líder Nick Clegg nos debates televisivos.
O próximo governo assumirá em situação difícil, tendo de manter a ainda frágil recuperação econômica e combater o enorme déficit público, que supera 11 por cento do PIB. Os mercados preferem que algum partido forme maioria absoluta, pois temem um impasse na formação de coalizões, o que poderia retardar medidas econômicas urgentes.
Ao contrário de outros países europeus, a Grã-Bretanha não está habituada a coalizões entre partidos no governo, já que conservadores e trabalhistas costumam ter força suficiente para governarem sozinhos. A última vez em que isso não ocorreu foi em 1974.
A libra esterlina alcançou na quarta-feira sua maior cotação em nove meses frente ao euro, combalido pela crise grega. Mas analistas dizem que os mercados podem voltar suas baterias contra os papéis britânicos, caso o processo político no país se revele longo e complicado.