Os cerca de 600 mil funcionários do setor público britânico estão mobilizados para uma greve que ameaça deixar fechadas milhares de escolas e os aeroportos do país. As milhares de pessoas saíram às ruas em Londres e em outras cidades para pressionar o governo a rever o plano de realizar reformas no sistema das aposentadorias do setor público.
Funcionários dos aeroportos afirmaram que havia filas longas na imigração devido a falta de agentes de imigração. Os sindicatos esperam que essa greve seja o primeiro golpe no plano de austeridade do governo que planeja realizar cortes de 80 bilhões de libras do gasto público para diminuir o déficit do país.
As medidas de austeridade incluem corte de empregos públicos e benefícios, elevação da idade legal para a aposentadoria e redução do valor da aposentadoria dos funcionários públicos. A reforma é "essencial", devido ao envelhecimento da população e, sem ela, "o sistema de aposentadorias corre o risco de naufragar", afirmou o primeiro-ministro, que dá prosseguimento a seu plano de austeridade.
A greve acontece depois de várias manifestações contra as medidas de austeridade, a mais importante das quais levou 250 mil pessoas às ruas de Londres, em março passado.
Ante a indignação crescente, o governo advertiu que poderia endurecer ainda mais a legislação sobre greves.
Apoio à greve
Apesar de reconhecer que milhares deverão se juntar à paralisação, o governo enfatizou que a grande maioria dos tribunais, centros de emprego, e serviços de assistência telefônica nos setores de impostos e imigração deverão funcionar normalmente.
– As pessoas vão se perguntar por que professores e alguns servidores públicos estão aderindo à greve enquanto ainda estão sendo realizadas discussões sobre como manter os serviços públicos entre os melhores disponíveis. Mas as pessoas estão vivendo por mais tempo. É perfeitamente aceitável que se espere trabalhar por um pouco mais de tempo antes de podermos recorrer às aposentadorias, que ainda estarão entre as melhores, e pedir que se pague um pouco mais porque outros contribuintes que estão pagando o complemento tiveram impactos em suas próprias pensões – disse, em entrevista à agência britânica de notícias BBC, o ministro da Economia britânico, Francis Maude.
O diretor-geral da Câmara Britânica de Comércio, David Frost, diz que o plano de reformar o sistema de aposentadorias é ''essencial'' e pode impulsionar o setor comercial da Grã-Bretanha.
– O setor público precisa despertar para a dura realidade de conceder aposentadorias em um mundo que passa por rápidas transformações, e o setor público precisa fazer o mesmo. Se a Grã-Bretanha for vista como um país onde há muitas greves do serviço público, poderá perder a confiança dos investiores, e o país passar a ter dificuldade de atrair novas empresas – afirmou Frost.
Mark Serwotka, secretário-geral do PCS, afirmou que não houve outro caminho se não o da greve, já que o governo não está preparado para ''ceder em qualquer um dos temas centrais que levaram à greve''.
Kevin Courtney, vice-secretário-geral do sindicato nacional de professores (NUT, na sigla em inglês), disse reconhecer que a paralisação afeta professores e alunos:
– Esperávamos alcançar acordos antes da greve, mas o governo não está levando a sério a realização de negociações – concluiu.
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