Rio de Janeiro, 06 de Abril de 2026

Britânicos lembram vítimas dos ataques de 7 de julho

Segunda, 03 de Julho de 2006 às 08:16, por: CdB

Um ano depois de atentados suicidas terem provocado um banho de sangue em Londres, os britânicos vão se lembrar das vítimas dos ataques de 7 de julho, nesta semana, ainda preocupados com a possibilidade de militantes islâmicos entrarem em ação mais uma vez.

O aniversário dos ataques cai na sexta-feira, dia em que milhões de britânicos devem homenagear as 52 pessoas mortas e as 700 feridas quando quatro jovens muçulmanos, de nacionalidade britânica, explodiram a si mesmos dentro de veículos do sistema de transporte público da cidade.

O primeiro-ministro Tony Blair, cuja política externa agressiva - incluindo a decisão de invadir o Iraque - está entre os motivos que explicam os atentados, deve se juntar aos demais cidadãos, realizando dois minutos de silêncio a partir do meio-dia (8h em Brasília).

Quatro velas serão acesas na catedral de St. Paul - uma para cada atentado e cada uma no momento de uma das explosões que atingiram a maior cidade da Europa um ano atrás.
Os nomes das vítimas serão lidos em uma cerimônia no Regent's Park e placas devem ser inauguradas nas estações de metrô onde aconteceram três dos ataques.

O prefeito de Londres, Ken Livingstone, vai comparecer a uma missa em uma praça central de Londres onde o mais jovem dos agressores, Hasib Hussain, de 18 anos, detonou sua bomba, dentro de um ônibus de dois andares.

Mas, em meio à gravidade de tais eventos, vozes indignadas devem se fazer ouvir. Muitos dos 1,8 milhão de muçulmanos sentem que sua comunidade virou alvo da polícia depois dos atentados.

Duas ações fracassadas de combate ao terrorismo realizadas pela polícia ajudaram a alimentar esse sentimento. Dois homens inocentes foram alvejados pelas forças de segurança nessas operações, um deles, o brasileiro Jean Charles de Menezes, fatalmente.

Sobreviventes dos atentados afirmam que muitas perguntas ainda precisam ser respondidas e alguns desejam um inquérito aberto a respeito do dia que, para muitos britânicos, ficou conhecido apenas como 7/7.

Acusados

Apesar de ter colhido o testemunho de mais de 10 mil pessoas e de ter seguido ao menos 12 mil pistas, a polícia britânica não conseguiu acusar ninguém formalmente pelos atentados.

O governo reconheceu que pouco sabe a respeito da motivação dos agressores, sobre seu eventual treinamento no exterior e sobre supostas ligações com a Al Qaeda.

- O que temos que seja capaz de impedir isso de acontecer novamente - perguntou John Tulloch, um dos sobreviventes dos ataques que escreveu um livro sobre o 7/7. "Absolutamente nada".

Após os atentados, o governo Blair tentou tornar as leis de combate ao terrorismo mais rígidas, mas deparou-se com a oposição enérgica de grupos de defesa dos direitos civis.

Autoridades da área de inteligência tentaram infiltrar-se nas comunidades muçulmanas da Grã-Bretanha e de fora dela, no entanto, segundo analistas da área de segurança, o sucesso dessas operações foi apenas parcial.

- Precisamos de um esforço muito maior a fim de nos comunicar de forma eficiente com o mundo árabe e muçulmano, acabando com o abismo de desconfiança responsável por alimentar o terrorismo internacional -  afirmou a Comissão de Assuntos Externos do Parlamento britânico em um relatório recente.

Enquanto isso, a polícia britânica estará nas ruas na sexta-feira para evitar a repetição dos atentados. No dia 21 de julho do ano passado, apenas duas semanas depois dos ataques, quatro homens tentaram realizar uma ação do mesmo tipo, mas fracassaram porque seus explosivos deixaram de funcionar.

Para os sobreviventes de 7/7, a sexta-feira reacenderá memórias dolorosas. Em especial para os que ainda continuam usando a labiríntica rede de metrô da cidade.

- Hoje em dia, eu não me sinto segura nos horários de rush dentro do metrô. Sei que haverá um outro ataque, sei que não estamos mais em segurança -  disse Rachel

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