Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Britânicos estão perto de descobrir quem decapitou jornalista

Domingo, 24 de Agosto de 2014 às 03:25, por: CdB
james-foley.jpg
O jornalista norte-americano James Foley relatou o período em que esteve sequestrado, na Líbia
A Grã-Bretanha está perto de identificar um homem, que acredita-se ser britânico, que foi mostrado decapitando o jornalista americano James Foley em um vídeo divulgado pelo grupo militante Estado Islâmico na semana passada, disse o embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Westmacott, à rede norte-americana de TV CNN. "Estamos perto" de identificar o homem no vídeo, Westmacott disse ao programa State of the Union, neste domingo. – Estamos colocando muitos esforços nisso – disse ele, incluindo o uso de tecnologia de reconhecimento de voz para rastrear o assassino. As autoridades britânicas estão tentando identificar o homem, que tem um sotaque londrino e foi apelidado de "Jihadi John" pela mídia britânica. A figura mascarada decapitou Foley em um vídeo divulgado na terça-feira e também ameaçou um segundo jornalista americano capturado, Steven Sotloff. Foley foi sequestrado na Síria em novembro de 2012; Sotloff foi sequestrado em 2013. Westmacott disse que o problema "vai além de um criminoso horrendo." – Acredita-se que talvez até 500 súditos britânicos foram para a Síria e o Iraque para esta causa da jihad – disse ele. Crime odioso O suspeito aparece nas imagens gravadas momentos antes de Foley ser decapitado. Na entrevista à CNN, Westmacott disse que não pode revelar mais detalhes, mas acrescentou que não se trata apenas de "um assassino brutal", mas que se trata de uma "ameaça aos nossos cidadãos." "É assustador pensar que o autor de um crime odioso como este pode ter sido criado na Grã-Bretanha" escreveu o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, no jornal dominical Sunday Times. Hammond disse que o governo estava investindo "recursos significativos" para combater "uma ideologia de barbárie". Calcula-se que nos últimos anos cerca de 500 jovens tenham deixado a Grã-Bretanha para lutar uma "Guerra Santa" na Síria e no Iraque. O ex-líder da Igreja Anglicana George Carey defendeu o confisco de passaportes britânicos destes jihadistas. Jihadista O homem que aparece ao lado de Foley no vídeo tem um sotaque típico da região sudeste britânica "Eles não deveriam ter acesso ao privilégio de viajar com um passaporte britânico", escreveu Carey no jornal Mail on Sunday. "E certamente não deveriam ser autorizados a voltar (à Grã-Bretanha) depois de adquirir conhecimentos brutais e sanguinários." A influente deputada de oposição Yvette Cooper fez um apelo à ministra do Interior britânica, Theresa May, para "repensar a decisão que tomou há quatro anos substituindo as ordens de controle pela fraca lei de Medidas de Prevenção e Investigação de Terrorismo". 'Protoestado criminoso' "É preciso fazer mais para evitar que cidadãos britânicos se juntem à barbárie e para manter o país seguro, caso eles voltem", afirmou Cooper, também ao Sunday Times. A deputada pediu maior controle e monitoramento de listas de passageiros e dos passaportes de pessoas que entram e saem do país. Um influente deputado conservador, David Davis, exigiu que os jihadistas britânicos percam a cidadania. "São pessoas que estão efetivamente jurando lealdade a um protoestado. Um protoestado criminoso", disse, referindo-se ao grupo militante Estado Islâmico. "Se voltarem todos, mais de 500 ou 700 ou quantos forem, sem dúvida vão provocar ameaças muito muito graves na Grã-Bretanha." A Grã-Bretanha nomeou um novo enviado de segurança para o Iraque, em uma ação que o governo qualificou como "intensificação" dos esforços para derrubar o Estado Islâmico na região. O general Simon Mayall, um experiente conselheiro militar no Oriente Médio, deve se encontrar com líderes iraquianos já na semana que vem. O país também pretende fornecer "material não-mortal", como coletes à prova de balas e equipamentos de visão noturna, para forças curdas nos próximos dias.
Tags:
Edições digital e impressa