O confronto entre homens da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, contigente que se equivale à Polícia Militar do Estado do Rio, e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) deixou uma vítima fatal entre os civis. Morreu, com um tiro no peito, o sem-terra Elton Brum da Silva, na manhã desta sexta-feira. Ele não portava arma de fogo e, segundo testemunhas, estava na linha de frente dos militantes que resistiam à reitegração de posse da Fazenda Southall, ocupada para fins de reforma agrária há duas semanas.
O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH), da Assembleia Legislativa do RS, deputado Dionilso Marcon (PT), confirmou o assassinato do trabalhador, que chegou a ser levado à Santa Casa de São Gabriel, mas não resistiu ao ferimento. O MST lamentou, com pesar, o ocorrido e responsabiliza os governos e a Justiça.
– É de conhecimento público a truculência usada pela Brigada Militar nas ações de despejo. Mesmo assim, os poderes públicos optam por tratar as questões sociais, como a reforma agrária, como caso de polícia. Dias atrás a Brigada Militar já usou métodos de tortura física para inibir manifestações dos trabalhadores rurais no município de São Gabriel – disse um militante do movimento.