Por determinação do comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, o subcomandante-geral da corporação, coronel Lauro Binsfeld, foi afastado de suas funções neste domingo. Ele foi o responsável pela operação de reintegração de posse da fazenda Southall, na sexta-feira, em São Gabriel, cidade a 321 km de Porto Alegre, que culminou com o assassinato de um sem-terra, desarmado, com um tiro de escopeta no peito. Binsfeld foi substituído pelo coronel Jones Calixtrato.
Em nota, distribuída à imprensa, o Comando-geral da BM informou que, "após a realização da operação, constatou-se erro na execução, na medida em que o planejamento do comandante-geral não foi seguido na íntegra". O documento afirma, ainda, que "já foram identificados os policiais militares que manusearam armamento de mesma característica e calibre que o apontado como causador da morte."
Em protesto contra a morte do sem-terra Elton Brum da Silva, de 44 anos, cerca de mil pessoas participaram na véspera de uma marcha pela cidade de São Gabriel. O trânsito foi interrompido e a manifestação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) seguida de perto por policiais civis. A Brigada Militar, por ordem do governo de Yeda Crusius (PSDB), não foi vista no local.
Durante o protesto, uma camionete avançou sobre os manifestantes e foi atacada com bandeiradas após quase atropelar um grupo de sem-terra. Visivelmente irritado, um fazendeiro hostilizou os manifestantes:
– Mataram um, tão matando pouco – gritava o fazendeiro Carlos Alberto Teixeira, segundo constataram jornalistas que acompanharam a manifestação.
Comoção
O funeral do sem-terra morto se tornou, neste sábado, um ato político do MST contra a governadora Crusius, pela demora em assentar famílias. Sob forte comoção e revolta, Silva foi enterrado na tarde deste sábado. O velório foi realizado na casa do pai dele, Jaime da Silva, na localidade de Remanso, no município de Canguçu, no sul do Estado.
Silva foi sepultado no cemitério da Solidão, divisa com o município de Piratini.
– Foi uma ação de absoluta covardia, violência absurda. Isso demonstra o desleixo do Estado e da União com a reforma agrária – disse o coordenador estadual do MST, Adellar Pretto, temendo que este não seja o último confronto.