Um contingente da Brigada Militar invadiu, na tarde desta terça-feira, de forma violenta, o acampamento das mulheres da Via Campesina na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, . As primeiras informações da área registram que há centenas de agriculturas feridas. As cerca de 250 crianças que estavam no acampamento foram separadas das mães e colocadas deitadas com as mãos na cabeça. Ferramentas de trabalho foram apreendidas e as barracas dos assentados destruídas.
Durante o dia, a Brigada Militar já havia agredido um grupo menor de camponesas na entrada da fazenda e coagido os jornalistas que estavam na área cobrindo o episódio. Um cinegrafista foi detido por mais de uma hora e a sua fita com o registro da agressão apreendido. Segundo a direção do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra da região, "não é a primeira ação violenta do Governo Yeda Crusius".
"A Via Campesina condena a ação e denuncia que a governadora tucana coloca o aparato policial do Estado a serviço de uma de suas maiores financiadoras de campanha, a multinacional Stora Enso. Denuncia, ainda, que a ocupação ocorre em área adquirida ilegalmente pela empresa estrangeira, que burlando a Constituição Federal por se localizar em faixa de fronteira, o que é proibido por lei", conclui a nota.
Protesto
Oito rodovias no Rio Grande do Sul foram bloqueadas, nesta quarta-feira, para denunciar as violações cometidas pela ação polícia gaúcha. Trabalhadores rurais Sem Terra usaram o protesto para denunciar a violência e os abusos cometidos pela Brigada Militar e o Governo Yeda Crusius durante o despejo de 900 trabalhadoras rurais, na véspera, na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul. As mobilizações das mulheres da Via Campesina prosseguiram também em Porto Alegre, onde se iniciou, também nesta quarta, um acampamento com cerca de 250 trabalhadoras rurais, e em Encruzilhada do Sul, onde estão reunidas 600 mulheres em outro acampamento.
Cerca de 50 camponesas foram feridas por balas de borrachas e estilhaços de bombas, além de agressões físicas pela Brigada Militar, sob ordens da Governadora e dos Comandantes BInsel e Paulo Mendes. As agricultoras estão detidas desde às 17hs desta terça, sem alimentação. As 250 crianças que estavam com suas mães só puderam ser alimentadas no início da madrugada desta quarta. Duas agricultoras estão detidas. Segundo denúncia dos sem-terra, "a Fazenda Tarumã foi adquirida por uma empresa 'laranja' de propriedade da finlandesa Stora Enso. Pela lei brasileira, empresas estrangeiras não podem comprar áreas na faixa de fronteira. A empresa finlandesa também é uma das financiadoras da campanha da então candidata Yeda Crusius ao Governo do Estado".