Em São Paulo, o coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República, José Henrique Reis Lobo, é a primeira baixa da disputa interna que tumultua o ninho tucano. Parte dos líderes do PSDB não quer elevar o tom da campanha eleitoral. Outros, porém, preferem criticar com mais veemência o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. Na tentativa de minimizar a sua saída, Lobo continua formalmente no cargo, mas o próprio Alckmin passou o bastão ao diretório estadual do PSDB, liderado pelos tucanos João Câmara e Tião Farias, mais conhecidos por suas posições antagônicas ao governo petista..
Novamente, a cisão entre José Serra e Alckmin volta à cena. Enquanto a campanha de Serra, virtualmente eleito para o governo do Estado de São Paulo, segue uma linha mais branda, parte considerável dos tucanos do ex-governador paulista prefere tocar fogo no horário eleitoral da TV. Lobo, há duas semanas, chegou a recusar-se a mandar imprimir panfletos que associam a imagem de Lula ao quadro de corrupção descoberto nos escândalos do valerioduto e das sanguessugas.
FHC na fogueira
Ainda no front interno, a troca de farpas entre os partidários do candidato Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apoiou inicialmente a candidatura de José Serra, tem causado mais estragos. Governador mineiro, o tucano Aécio Neves voltou ao noticiário, nesta terça-feira, por poupar críticas à carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aos eleitores do PSDB. Embora tenha preferido não abrir uma polêmica ainda maior, Aécio saiu em defesa de Alckmin. Ele afirmou que o as palavras do ex-presidente, divulgadas no fim de semana, "mais desagregam do que agregam".
FHC admitiu, no documento, que houve falhas na gestão penitenciária em São Paulo, durante a gestão do ex-governador, que hoje busca o Palácio do Planalto, e acrescentou que a má gestão pública criou "um caldo de cultura para a criminalidade''. Ainda na opinião de FHC, o fortalecimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que organizou séries de ataques no Estado, é hoje um ponto fraco na campanha do PSDB.
- Assim sendo, prefiro não comentar a carta. Eu hoje estou envolvido num projeto que é a eleição de Geraldo Alckmin para a Presidência da República. Esse é o projeto que interessa ao PSDB, que interessa ao Brasil. A melhor forma de eu contribuir com esse projeto é evitar comentar ações que mais desagregam do que agregam. Quando se faz uma campanha política, se faz olhando para frente, não para trás. O Geraldo, inclusive com muita firmeza, tem relembrado sempre muitos aspectos positivos do governo (de FHC). Eu não acho que ele (Fernando Henrique) tenha sido deixado de lado (na campanha), mas o candidato é Geraldo Alckmin. Estamos discutindo o governo a partir de 2007, e não a partir de governos passados - disse Aécio Neves.
Mais lenha
FHC, no entanto, não resumiu seus ataques às hostes tucanas. Em artigo publicado na internet, ele critica a proposta do governo Lula de realizar um entendimento nacional unindo partidos antagônicos como PT e PSDB. Para FHC, a idéia visa apenas preservar a maioria governista no Congresso. Em troca, prega um debate "sério" sobre a reforma política. O tucano afirma que a tese da convergência política entre os dois partidos pressupõe apenas a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O pressuposto do sonho, do qual não compartilho, é de que Lula será reeleito. E de que não poderá governar com os seus atuais aliados e companheiros de viagem - afirmou no texto divulgado pelo portal IG.
Para o ex-presidente, a necessidade de maioria no Congresso deve levar o presidente Lula, em um eventual segundo mandato, a buscar apoio a qualquer custo, em menção indireta ao esquema do mensalão.
- Se Lula vier a reeleger-se, o espelho do futuro será o retrov