O ministro Ivanov (E), ao lado do consul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, Andrey Budaev, conversa com jornalistas
Chefe do Serviço Federal russo de Controle de Drogas (FSKN), o ministro Victor Ivanov fez um detalhado balanço do combate ao narcotráfico no mundo e detalhou os passos a serem realizados pelas nações que integram o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na sigla em inglês), após alertar que o prejuízo das principais economias globais com o crime organizado supera a marca dos R$ 700 bilhões por ano. Em visita ao consulado da Rússia, Ivanov participou, no Brasil, da cúpula dos Brics, em Fortaleza, onde foi criado o primeiro encontro das autoridades dos cinco países para o combate ao tráfico internacional de drogas.
– O primeiro encontro das autoridades dos cinco países dos Brics será em Moscou, ainda este ano, quando o grupo de trabalho irá traçar as metas para os próximos meses no combate ao narcotráfico. Já existem iniciativas em curso no Brasil, com a participação da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro – disse Ivanov.
Uma das principais metas dos Brics, segundo o ministro russo, é identificar e reprimir a lavagem do dinheiro proveniente do tráfico mundial de drogas. Tanto a cocaína, produzida apenas na América do Sul, quanto a heroína, amplamente fabricada no Afeganistão, geram uma pirâmide financeira que drena o PIB dos países consumidores.
– Um em cada dois narcodólares são provenientes da Colômbia e do Afeganistão. Estudo realizado pelas autoridades internacionais mostram que entre 3% a 5% da renda proveniente do narcotráfico ficam com os produtores da cocaína e da heroína. Os outros 95% são divididos entre o transporte da droga até o destino, nos países da Europa e da América do Norte, principalmente nos EUA, e os traficantes, na ponta final, nas ruas. O lucro chega a mais de R$ 500 bilhões por ano – afirmou.
A maior parte desses recursos retorna para o narcotráfico, inteiramente limpo pela lavagem promovida por grandes bancos internacionais. Victor Ivanov lembrou que bancos como o britânico HSBC e os norte-americanos Bank of America, Western Union e JP Morgan estão na lista das instituições financeiras que lavam os narcodólares.
– Como diz um antigo ditado russo, 'dinheiro não tem cheiro'. E, diante da crise mundial, muitos bancos internacionais terminam por lavar o dinheiro do tráfico e reforçam o caixa com as comissões provenientes do negócio sujo. O narcotráfico também usa empresas legalmente constituídas para lavar os recursos obtidos com a venda ilegal de drogas, o que destrói a competitividade nos mercados onde atua – relata.
Atendimento aos usuários
O ministro russo também abordou a necessidade de se promover uma reforma econômica nos países produtores de drogas como a cocaína e a heroína, para que os mais de 2 milhões de lavradores envolvidos no plantio da coca e da papoula, possam deixar de ser a base de um negócio bilionário e sangrento, que mobiliza um contingente armado maior do que os exércitos nacionais de alguns países, tanto na América Latina quanto na África, amplamente dominados pelos cartéis das drogas.
Na conferência de imprensa, no Rio, o ministro lembrou que, na Rússia, existem cerca de 8 milhões de dependentes de drogas como a cocaína e a heroína e disse que quase a metade deles precisa de dedicação intensiva para a reabilitação. Um trabalho desenvolvido por organizações não governamentais (ONGs) tem atendido a cerca de 150 mil pacientes, mas relata planos para ampliar esse número.
Para implementar a iniciativa, segundo Ivanov, são necessários 1,5 bilhão de rublos, cerca de US$ 44 milhões. No entanto, segundo o chefe da FSKN, esse investimento poderia economizar para o tesouro russo uma soma 10 vezes maior em longo prazo.
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