Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Brics pedem fim de combates na Líbia

Sexta, 15 de Abril de 2011 às 05:06, por: CdB

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Por Ray Colitt e Alexei Anishchuk

SANYA, China (Reuters) - O Brasil e as quatro potências emergentes que compõem os Brics expressaram nesta quinta-feira sua apreensão com os ataques aéreos comandados pela Otan na Líbia e pediram o fim da luta que, ao lado das turbulências em outras regiões do mundo árabe, aumentou a insegurança global.

A campanha aérea chancelada pela Organização das Nações Unidas contra as forças do líder líbio Muammar Gaddafi foi um dos assuntos na mesa quando os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) se reuniram no sul da China para uma cúpula de um dia.

Embora verbalizando sua preocupação com a Líbia, a intensidade dos comentários públicos dos líderes variou, indicando que não saíram da reunião com uma postura unificada.

"Estamos profundamente preocupados com a turbulência no Oriente Médio, no norte da África e em regiões do oeste africano", disseram os líderes em um comunicado conjunto divulgado após a cúpula no balneário de Sanya.

"Compartilhamos o princípio de que a força deve ser evitada", acrescentaram, exortando a uma resolução pacífica para o conflito líbio e elogiando os esforços de mediação da União Africana.

"Temos a visão de que todas as partes deveriam resolver suas diferenças por meios pacíficos e diálogo", declararam.

"Todos condenaram os bombardeios", disse uma fonte de governo que participou da reunião dos líderes dos Brics.

Mas os comentários púbicos dos líderes após a cúpula indicaram diferenças na maneira de lidar com o conflito, que aumentou a possibilidade de uma Líbia dividida pela guerra, e intensificou os aumentos recentes nos preços do petróleo.

Aviões de guerra ocidentais começaram a atingir forças do governo líbio no mês passado, mas Gaddafi se recusa a ceder aos apelos de grupos rebeldes e de outros governos para que renuncie. Suas forças continuam engajadas em combates com os rebeldes.

China, Rússia, Índia e Brasil se abstiveram de uma votação em 17 de março no Conselho de Segurança da ONU que autorizou os ataques aéreos. A China e a Rússia poderiam ter usado seu poder de veto como membros permanentes do conselho para barrar a autorização.

A África do Sul, por sua vez, votou a favor das incursões, mas durante uma visita a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano Jacob Zuma pediu o fim dos ataques da Otan.

O presidente russo Dmitry Medvedev insinuou que os governos ocidentais que apoiam a campanha aérea líbia extrapolaram o mandato das Nações Unidas.

"Concordamos em... fechar a zona aérea (sobre a Líbia) e evitar as bases de uma intensificação do conflito... o que tivemos como resultado? Uma operação militar", disse ele aos repórteres que viajam com sua comitiva. "Mas a resolução não diz nada sobre isso", acrescentou.

Reuters

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