Os sinais apontando para Meca, cidade sagrada do islamismo, já foram colocados nos hotéis de Brasília, preparada com esmero para receber as numerosas delegações de países árabes que vão participar do encontro com as lideranças sul-americanas.
Ao todo, 32 países árabes e sul-americanos terão representantes na primeira cúpula desse tipo na história. Promovido pelo Brasil, o evento ocorre entre terça e quarta-feira da próxima semana.
Os mais importantes mandatários de países tão diferentes como Iraque, Uruguai, Catar e Venezuela, entre outros, estarão no encontro cujo objetivo é promover entendimento, coordenação política, comércio e investimentos entre as duas distantes regiões do mundo em desenvolvimento.
Cerca de 9 mil pessoas participarão da segurança do encontro, com forças das polícias federal, distrital e rodoviária, além das Forças Armadas.
As reuniões devem contar com a presença de entre 2 mil e 3 mil pessoas, sendo algumas delas príncipes, emires, reis, xeiques, primeiros-ministros, presidentes e ministros de Relações Exteriores, além de 600 empresários.
"Todos os hotéis estão preparados e adaptados. Houve aprendizado sobre a cultura e os atos religiosos do mundo muçulmano", garantiu o presidente da associação de empresários de hotelaria e gastronomia de Brasília, César Gonçalves.
Lanchas militares já navegam no lago Paranoá, fiscalizando as margens onde se localizam os hotéis que serão sede da reunião e nos quais se alojarão várias autoridades árabes.
Os preparativos incluem a sinalização a Meca, para que os visitantes muçulmanos orem na direção da cidade santa, fornecimento extra de toalhas, para apoiar os joelhos durante as orações, e ordens específicas que impedirão, por exemplo, que mulheres estendam suas mãos a visitantes árabes.
Para cumprir as regras muçulmanas de alimentação, pratos com carne de porco e com qualquer bebida alcoólica ficaram de fora das cozinhas dos hotéis.
Os donos de hotéis de Brasília esperam que a reunião injete na economia da cidade cerca de 2 milhões de dólares, em uma média de 300 dólares em gastos diários de cada visitante.
Para conduzir a reunião, o Itamaraty investiu aproximadamente 6 milhões de reais e colocou mais de 130 diplomatas nos trabalhos de organização do encontro.
A reunião não esteve alheia a polêmicas. Há mais de dois meses, representantes diplomáticos de Estados Unidos e Israel se mobilizaram, preocupados com a possibilidade de o encontro escapar ao seu propósito original e se transformar em um palanque de crítica ao Estado judeu e à política de Washington no Oriente Médio.
Esboços da declaração final da cúpula que circularam em Brasília indicaram a possibilidade de que os governantes definam o crime de terrorismo e o diferenciem do direito legítimo dos povos de resistir a ocupações estrangeiras em busca de independência nacional.
Os textos provocaram uma advertência do Centro Simon Wiesenthal. A organização judia de direitos humanos pediu a todos os chanceleres sul-americanos que impeçam que a reunião conceda o que considera ser um aval à atuação de grupos extremistas.
O Brasil e a Liga Árabe, no entanto, asseguraram em abril que a cúpula não deve causar preocupação, já que busca estreitar laços econômicos entre as duas regiões do mundo em desenvolvimento, e não confrontar algum país específico.
Nesta semana, no Cairo, um funcionário da Liga Árabe disse que o encontro servirá para afirmar a coordenação das duas regiões na Organização Mundial do Comércio (OMC) e nas Nações Unidas.
Além disso, o encontro teria o propósito de reforçar a cooperação Sul-Sul em comércio, turismo e investimentos e melhorar a imagem do mundo árabe na sociedade civil e entre os formadores de opinião sul-americanos.
Na cúpula estarão representados Argentina, Arábia Saudita, Argélia, Barein, Bolívia, Chile, Catar, Colômbia, Ilhas Comores, Djibuti, Egito, Emirados Árabes, Equador, Guiana, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuweit, Líbano, Líbia, Mauritânia, M