Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Brasileiros temem possível "frieza" de papa alemão

Terça, 19 de Abril de 2005 às 15:47, por: CdB

Na tarde em que o sucessor de João Paulo 2o. foi eleito, católicos em várias cidades brasileiras lamentaram que a escolha dos cardeais tenha privilegiado um europeu, no caso o alemão Joseph Ratzinger, em vez de um brasileiro ou um representante do Terceiro Mundo.

Vários entrevistados disseram temer que o novo papa deixe de manifestar seu "amor pelo povo", que seja "frio como os alemães" e que não dê a devida atenção aos pobres do mundo.

Na catedral de Brasília, visitantes mostraram sua decepção nesta terça-feira.

"Eu acho que essa deveria ser a nossa oportunidade, (o papa) poderia ser do Brasil ou da América Latina. Eu sempre achei que o papa era como o nosso presidente mundial e a maioria dos católicos está aqui", disse a turista Vivalda Carneiro Gama.

"Eu preferia alguém do Terceiro Mundo, mas o Espírito Santo deve saber o que está fazendo", disse o turista Leonardo Alves, 16 anos.

A camelô Maria Moura, 40 anos, que vende doces no centro do Rio de Janeiro afirmou que "nunca votaria num papa alemão".

"Eu tinha amor por João Paulo 2o. porque ele tratava o povo com amor. Deu pra ver seu carinho quando esteve aqui no Rio. A Alemanha está muito ligada às guerras, e o papa tem que ser amor."

Falando na Catedral da Sé, em São Paulo, o advogado Rodrigo Fabrício Rossi, 27, lamentou a nomeação de um papa de linha conservadora, e gostaria de que ele fosse brasileiro para que "lidasse melhor" com o avanço dos evangélicos. "Se ele fosse daqui saberia lidar melhor com isso", acrescentou.

A aposentada Edinéia Neto da Fonseca, 53, queria um papa com o mesmo estilo de João Paulo 2o. Ela vê um problema de estilo de liderança, mesmo que Ratzinger seja alinhado com as diretrizes de linha mais conservadora do papa anterior.

"Este alemão não tem perfil apropriado para ser papa. Eles são frios e distantes, não se aproximam do povo. Queria que o novo papa fosse africano", disse ela ao sair da igreja Santa Luzia, no centro do Rio de Janeiro.

A suposta "frieza" dos alemães também passava pela cabeça do auxiliar-administrativo João Batista, 49. "Um papa brasileiro entenderia o problema dos pobres. Torcia para o dom Cláudio (Hummes). Acho que na Alemanha as pessoas são duras e frias por natureza, o que não combina com o papa ideal."

Em frente à igreja do Largo Treze, zona sul de São Paulo, um centro de comércio popular onde poucos sabiam da notícia, a preocupação não era a nacionalidade, mas a idade do novo líder.

"Eu acho que teria que ser alguém mais novo. Esse papa está com 78, ele só vai ter mais uns 12 anos como papa", disse o balconista João Pereira da Silva, de 37 anos.

Há também quem considerou a decisão tomada pelos 115 cardeais no Vaticano acertada.

"Os brasileiros ainda não estão preparados para ser papas. Os estrangeiros são mais fortes com a religião e mais tradicionais", disse a agente de turismo Neusa Gonçalvez, 52, na Praça da Sé.

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