O The New York Times publicou na sua edição desta quarta-feira que a classe empresarial brasileira pede ao presidente Lula uma flexibilidade na atual disciplina fiscal e monetária. Segundo o repórter Tony Smith, os executivos brasileiros se perguntam se as políticas de Lula para favorecimento das "leis de mercado" não estão sufocando a economia nacional.
O empresário Marcelo Faria Lima, presidente da Metalfrio, diz na matéria que o primeiro ano da política econômica de Lula fez sentido para o mundo, mas "com o crescimento negativo e a inflação estabilizada em um patamar aceitável, parece que insistir em juros altos e numa moeda forte não ajudam em nada nas tentativas de retomar o crescimento econômico e criar novos empregos".
O The New York Times cita que em 2003 a economia brasileira encolheu 0.2%, e teve sua pior performance em mais de uma década, com taxas de desemprego a 20% em São Paulo. "O rendimento das famílias caiu 14% no ano passado, segundo dados do governo", afirma a reportagem. O jornal ainda cita uma pesquisa da Fecomércio de São Paulo, que aponta mais de um quarto da população paulista como devedora de cartões de crédito ou empréstimos.
"Os brasileiros não necessariamente culpam Lula por isso, sob o argumento de que a economia estava bagunçada antes de ele assumir a presidência. Mas eles lembram, sim, que ele prometeu mudar o modelo econômico e criar 10 milhões de empregos", continua o periódico.
"Ele está em apuros," sustenta Douglas Smith, economista do departamento de Américas do banco Standard Chartered. "Já se passou um ano e os indicadores sociais não mudaram", reclamou ao jornal. A reportagem não ouviu membros do governo brasileiro.