Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Brasileiros na Bolívia esperam para voltar ao país

Quinta, 16 de Outubro de 2003 às 08:26, por: CdB

O grupo de 50 brasileiros que está sitiado em La Paz, capital da Bolívia, por causa dos protestos que agitam o país há um mês, espera em um hotel pelo resgate. Eles serão retirados do país por dois aviões da Força Aérea Brasileira, enviados nesta quarta-feira por ordem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Não foram fornecidos detalhes sobre a ação. Sabe-se apenas que os turistas brasileiros foram localizados pela Embaixada brasileira e reunidos em um hotel da capital. De lá eles devem ser transportados de helicóptero até o aeroporto internacional de La Paz, que está fechado para vôos regulares.

Desespero

Mas os brasileiros não são os únicos estrangeiros a temer o conflito na Bolívia. Centenas de turistas do mundo inteiro estão bloqueados em La Paz, cujo aeroporto está inacessível desde domingo passado. Eles são testemunhas impotentes dos protestos e confrontos que ocorrem próximos a seus hotéis, no coração da sede do Governo boliviano.

Todos os viajantes que passavam por La Paz no último fim de semana se encontraram de repente presos na convulsão social que atinge o país há um mês. No centro da cidade, atrás da Praça San Francisco, onde se reúnem os manifestantes, a zona turística de La Paz concentra em quatro ou cinco ruas dezenas de hotéis cheios de turistas que foram surpreendidos na segunda-feira com as primeiras manifestações de violência, que tomaram conta da região.

"Na manhã de segunda-feira, todas as lojas na rua fecharam suas portas, nosso hotel foi fechado, bloqueando as portas com sacos de areia e por volta das 11H00 lançaram as primeiras bombas de gás lacrimogêneo na rua contra os manifestantes que protestavam contra os massacres do dia anterior em El Alto", disse Corinne Munsch, uma dos cerca de 60 turistas franceses que estão em La Paz, segundo a embaixada de seu país.

Os turistas, alemães, britânicos, norte-americanos, australianos e suíços, encontram pela manhã uma cidade tranqüila que fica bloqueada à tarde e perguntam quando poderão deixar o país. "Foi muito impressionante", disse outro turista, que chegou à cidade na quinta-feira-passada. "Lançaram muitas granadas de gás lacrimogêneo todo o dia ao redor do hotel, ninguém podia sair por causa irritação nos olhos, havia barricadas construídas com os paralelepípedos das ruas, as pedras voavam, inclusive queimaram um edifício".

Um dia depois destes incidentes, os turistas "descobriram" seu bairro, onde também vivem muitos índios pobres, desolado pela batalha, cheio de cacos de vidros, cinzas e pedras. Muitos aproveitaram a aparente calma da terça-feira para comprar na rua algo para comer, porque as lojas continuavam fechadas. "Alguém acaba encontrando água, queijo, pão, café, no momento isso dá", disse Antoine Estève, que chegou na sexta-feira a La Paz.

Os hotéis com restaurantes continuam pelo momento servindo cardápios completos e outros improvisaram serviços de comida, mas o desabastecimento é mais perceptível entre os bolivianos. Os confrontos na Bolívia deixaram mais de 70 mortos em um mês, paralisaram o país e isolaram o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, um defensor do livre mercado que assumiu em agosto de 2002 (já havia governado entre 1993 e 1997) e que enfrentou a oposição nos últimos meses ao promover a exportação de gás em condições consideradas por seus adversários desvantajosas para a nação andina.

Agora, que o presidente se mostra disposto a realizar consultas populares sobre o delicado tema do gás, a oposição exige sua renúncia. As embaixadas européias aconselharam seus cidadãos a que não tentem chegar ao aeroporto, sitiado em El Alto, a 12 quilômetros de La Paz e foco dos confrontos mais sérios.

Tags:
Edições digital e impressa