A população brasileira começou a trocar armas de fogo por dinheiro, no primeiro dia da campanha de desarmamento do governo federal para reduzir a violência no país. As delegacias da Polícia Federal (PF) começaram a receber nesta quinta-feira armas entregues voluntariamente pela população, pelas quais pode-se receber até 300 reais num prazo máximo de 30 dias.
A indenização é inferior ao preço de mercado das armas, mas a expectativa é que muitos acabem aderindo ao programa. "Muita gente está perguntando sobre como entregar suas armas e quais são as condições", disse um porta-voz da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
O programa faz parte das medidas previstas no Estatuto do Desarmamento, em vigor desde dezembro e cujo objetivo é reduzir as taxas de homicídio no país. A cada ano, 40 mil pessoas são mortas por armas de fogo no Brasil, índice mais elevado do que em alguns lugares em guerra. O estatuto tem por objetivo reduzir o fluxo de armas e munições ilegais no mercado negro e, posteriormente, eliminá-las.
Mesmo se confirmada a meta da PF de recolher 80 mil armas este ano, o número representa apenas uma fração das cerca de 20 milhões de armas não registradas espalhadas pelo país.
Ativistas antiarmas disseram hoje que, embora a campanha seja positiva, não acreditam que os integrantes de grupos narcotraficantes entreguem suas armas.
"Ter armas em casa é perigoso e expõe seus proprietários, familiares e amigos a perigos desnecessários", disse Carolina Iootty, do grupo de direitos humanos Viva Rio, uma das principais entidades que apoiaram o Estatuto do Desarmamento. "A população em geral é o foco da campanha, não os bandidos, porque, se eles quiserem se livrar de uma arma, o último lugar para onde iriam seria uma delegacia de polícia", disse Iootty.
Os brasileiros têm cinco meses e meio para entregar, de maneira voluntária, as armas de fogo sem registro nas delegacias e unidades do Exército. "Depois de dezembro, não haverá anistia para as armas ilegais", disse um porta-voz da PF no Rio.
Desde dezembro passado, apenas 120 armas foram entregues voluntariamente à polícia do Rio. Para o porta-voz da PF, as autoridades têm "expectativas de um grande aumento no desarmamento", comparado com a entrega daquelas 120 armas. "O dinheiro incentiva um pouco as pessoas, mas nós apostamos mais na campanha da imprensa, que está começando agora", acrescentou.
A indenização por uma pistola ou arma de caça é de R$ 100, por um rifle, de R$ 200, e por uma metralhadora, de R$ 300.
A Câmara dos Deputados do Rio também está analisando um projeto de lei que prevê indenizações adicionais de até 1.000 reais para quem entregar as armas de elevado poder de fogo.