Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Brasileiro chave em Locarno

Sábado, 16 de Agosto de 2008 às 07:42, por: CdB

A presença de tantos filmes brasileiros este ano no Festival de Locarno deve-se, em parte, a Paulo Roberto de Carvalho, criador de um festival latinoamericano em Tuebingen, na Alemanha, e membro da seleção de filmes em Locarno, tendo feito viagens à América Latina em busca de novas produções.

“Procuramos manter uma boa participação brasileira e latinoamericana, diz ele, em seções  importantes do Festival, como a competição dos longametragens, cineastas do presente. Acho que este ano temos um boa representação do cinema autoral, uma boa parte busca uma proposta visual particular de diferentes regiões, sem se discutir os formatos, se são em digital ou em celulóide”.

 

Sem brasileiros

 

“Chegamos a ver diversos filmes – conta Paulo Roberto – tanto para a competição principal como para exibição na Piazza Grande, achávmos importante um brasileiro ou latinoamericano. Houve algumas propostas discutidas pela comissão de programa mas, no final, nenhum foi aceito.

Não achamos que, neste caso, seja em consequência da proximidade com o Festival de Veneza”, afirma.

A maioria dos cineastas brasileiros  prefere se inscrever em Veneza, que começa ainda no fim deste mês, e isso sempre dificultou a presença dos melhores filmes brasileiros. Marco Mueller o diretor que precedeu ao atual, Frédéric Maire, sempre se queixava disso e, numa tentativa de impedir que os rejeitados por Veneza se inscrevessem, na última hora em Locarno, tinha estabelecido a regra de que uma inscrição em Veneza eliminava Locarno. Mas argumentava que, em Veneza, muitos filmes brasileiros teriam pequenas salas e horários matinais, enquanto em Locarno receberiam um tratamento preferencial.

Hoje, Marco Mueller é diretor de Veneza e, segundo Paulo Roberto, existe um clima de ajuda mútua, ou seja, os festivais em acordo com os diretores promovem trocas de filmes para evitar que bons filmes brasileiros se percam. Marco Mueller, alemão filho de mãe brasileira, falava sempre no caso do filme Carlota Joaquina, que tanto desejara levar para Locarno e que nao teve prêmio em Veneza.

“Este ano, diz Paulo Roberto, temos Filmefobia na mostra Cineastas do Presente, que se encaixa ali perfeitamente. Temos também o Pedro Urano, na Semana da Crítica, uma mostra escolhida por críticos, com a Estrada Real da Cachaça, tem o Gregório Acioli com Saltos, temos diversos cineastas brasileiros na mostra Open Doors. Há duas produtoras brasileiras, a Sara Silveira e a Katia Machado.

E, concorrendo com o curta-metragem Dez Elefantes, está a Eva Randolph. E, entre os jurados está o cineasta Cao Guimarães que trouxe também seu filme Andarilhos”.

 

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