Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Brasileiro tem gastos recordes no exterior

Quarta, 24 de Agosto de 2011 às 06:55, por: CdB

Os gastos dos turistas brasileiros no exterior superaram pela 1ª vez a marca de US$ 2 bi num mês desde que o Banco Central iniciou a sua série histórica em 1947. Segundo os dados do BC, essas despesas somaram US$ 2,2 bi em julho. Em agosto, apesar de a última semana ainda não ter sido contabilizada, as despesas gastas pelo turismo no exterior já somam US$ 2,28 bi. No ano, já foram gastos US$ 12,4 bi.

O hábito de viajar para o exterior em tempos de câmbio favorecido tem contribuído para déficit das contas externas brasileiras, que somou US$ 3,49 bilhões em julho. Na contramão, os turistas estrangeiros que estiveram no Brasil em julho deste ano gastaram US$ 489 milhões. E, de janeiro a julho de 2011, os gringos gastaram por aqui US$ 3,859 bilhões, valor 14,48% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

O problema é que o turismo passou a ter um peso maior nas contas externas brasileiras. Enquanto no início da década as viagens eram responsáveis por 10% do déficit nas contas externas do país, no mês de julho – época das férias escolares - o turismo respondeu por um pico de 48,8% desse montante. O cenário, apesar de preocupar, contempla uma tendência positiva. O presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, acredita que, com o tempo, a melhoria na qualidade dos destinos, atrações e serviços turísticos oferecidos no Brasil e os mega evetnos esportivos dos próximos anos deverão contribuir para neutralizar o déficit no item turismo.

Medidas do governo

Enquanto isso não ocorre, de olho nos gastos do brasileiro no exterior, e na valorização do real que limita a competitividade do Brasil, o governo vem tomando medidas para coibir o consumo de turistas fora do país. No início do ano, a Fazenda aumentou o IOF sobre gastos no cartão de crédito fora do país de 2,38% para 6,38% e também elevou o mesmo tributo sobre captações de recursos no exterior de 2% para 6%.

A questão do déficit na balança de Turismo - como em todos setores, serviços, transportes, seguros, aluguel de máquinas entre outros - só pode ser resolvido com medidas de aumento de nossa produção e prestação de serviços. Não se trata aqui de impedir a importação. Isso só se deve fazer mediante casos de dumping ou de concorrência desleal com a indústria nacional.

No caso do Turismo, já é hora de o Brasil ter uma política com "P" maiúsculo, já que temos condições de receber duas, três vezes mais turistas do que o fazemos hoje. Países como a República Dominicana, com seus 9 milhões de habitantes, recebem até duas vezes mais turistas que o Brasil. Priorizar o Turismo significa mudar radicalmente o Ministério e a nossa política para a área.


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