Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Brasileiro Silva, a "cara" da ONU no Afeganistão, diz adeus

O direito ao voto, os recordes de crianças nas escolas, a quase erradicação da pólio e a crescente mídia são provas da recuperação do Afeganistão após décadas de conflitos, disse neste domingo, em uma mensagem de despedida, o brasileiro que foi nos últimos 3 anos o porta-voz da Organização das Nações Unidas no Afeganistão. (Leia Mais)

Domingo, 13 de Março de 2005 às 16:40, por: CdB

O direito ao voto, os recordes de crianças nas escolas, a quase erradicação da pólio e a crescente mídia são provas da recuperação do Afeganistão após décadas de conflitos, disse neste domingo, em uma mensagem de despedida, o brasileiro que foi nos últimos 3 anos o porta-voz da Organização das Nações Unidas no Afeganistão.

Manoel de Almeida e Silva, que com aparições semanais tornou-se a face das Nações Unidas para os afegãos que têm televisão, disse que a participação dos senhores de guerra em abusos dos direitos humanos é um assunto sobre o qual o Conselho de Segurança da ONU está debruçado.

A insegurança e a depredação ecônomica ainda afetam o país mais de três anos depois que forças de oposição afegãs, apoiadas pelos Estados Unidos, tiraram a milícia Taliban do poder por ter se recusado a entregar Osama bin Laden, depois dos ataques de 11 de setembro nos EUA.

"Acho que há frustração do povo do Afeganistão, que não vê hoje o que esperava ver em benefícios imediatos como resultado do processo de paz. Isso é um ponto baixo," disse Silva, relembrando pontos altos e baixos de seus três anos de serviço.

Mas o brasileiro de 52 anos de idade, que antes foi vice-porta-voz do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que há motivos suficientes para acreditar que os afegãos superaram os últimos 25 anos de conflito.

Silva chegou a Cabul em fevereiro de 2002 e viveu um período turbulento, culminando com a eleição presidencial de outubro, quando o presidente Hamid Karzai recebeu 55 por cento dos votos.

Silva citou a desmobilização de mais de 42.000 combatentes de milícias e a realização virtualmente completa do programa para coletar armas pesadas como um dos passos importantes.

Ele disse que o país precisa de uma polícia efetiva e de um sistema judicial, e que as pessoas em posição de poder deveriam ser avaliadas para que sejam evitados abusos contra os direitos humanos.

O desemprego é crônico, as condições de habitação são ruins, as instalações de saúde pública são inadequadas e as necessidades de infra-estrutura são grandes para o país de 28 milhões de habitantes.

Mas Silva, que está voltando para a sede da ONU, em Nova York, lembrou como o Afeganistão estava destruído depois do Taliban e como a tarefa de reconstrução começou.

"Uma das primeiras coisas foi mobilizar os gabinetes dos ministros, colocar vidro nas janelas, dar carros para autoridades do governo. Porque não havia nada."

"Não havia telefone. Se tivesse que marcar uma reunião tinha que mandar um motorista até a pessoa que queria ver e perguntar: Você pode me encontrar no dia tal a tal hora? Era assim."

"Olhando para trás, mesmo estando longe do que todos esperavam, acho que é um ponto alto o que os afegãos estão conseguindo."

"Temos mais de 4 milhões de crianças nas escolas...mais do que nunca antes. Trinta por cento são meninas," disse.

E ele disse à Reuters que um programa para acabar com a poliomielite deverá ser completado neste ano.

Silva também elogiou o crescimento da mídia e o sentimento de liberdade de expressão, após décadas de governos de comunistas, senhores de guerra e islamistas de linha dura.

Há cerca de 300 publicações registradas no Ministério da Informação, 50 estações de rádio e mais de 20 de televisão, disse, acrescentando que isso ajuda a ONU a levar sua mensagem ao povo do Afeganistão.

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