O brasileiro Ali Ahmad Smidi, 26 anos, tenente do exército libanês que morreu na segunda-feira em um confronto no campo de refugiados de Nahr el-Bared, no Líbano, é visto como herói por colegas e familiares.
Segundo o Cônsul-Geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, Smidi carregava um colega ferido nos ombros no momento em que foi atingido por um franco-atirador.
- A bala entrou pela axila, perfurou pulmão e coração e saiu pela outra axila - disse Gepp.
O cônsul e um funcionário do Consulado-Geral foram na manhã desta quinta-feira até Soultan Yacoub, no Vale do Bekaa, onde residia o brasileiro, para transmitir as condolências do governo brasileiro aos familiares.
- Uma multidão se reuniu na cidade para homenagear o rapaz. Vieram muitas pessoas de cidades vizinhas e ele foi tratado como herói por ter arriscado a vida para salvar um colega - comentou.
A morte do brasileiro foi comunicada na manhã de quarta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores.
Em nota, o Itamaraty afirmou que "o governo brasileiro recebeu, com profundo pesar, a notícia do falecimento, no último dia 16 de julho, do cidadão brasileiro Ali Ahmad Smidi".
De acordo com Gepp, o consulado brasileiro ofereceu total apoio à família e se colocou à disposição no que precisarem.
- Fomos recebidos pelo pai, a mãe e a irmã dele. Eles estavam muito abalados, mas orgulhosos com a coragem dele em tentar salvar a vida de um colega - falou ele.
Smidi nasceu em Santos e tinha dois irmãos, um dos quais vive em São Paulo, e uma irmã. Ele foi enterrado no última dia 17 de julho na própria cidade de Soultan Yacoub.
O conflito que matou Smidi já dura quase dois meses e já matou mais de 90 soldados.
O Fatah al-Islam, que tem afinidade ideológica com a rede Al-Qaeda, perdeu 60 militantes.
Outros 40 civis também morreram no conflito nos confrontos entre os militantes e as foças de segurança libanesas.
O episódio de Nahr El-Bared já é considerado o pior conflito interno do Líbano desde o fim da guerra civil no país, há 17 anos.
O campo palestino de Nahr el-Bared já abrigou aproximadamente 30 mil pessoas, mas atualmente praticamente todos os moradores do campo já fugiram do local.