Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Brasileiro morto no Iraque pode ter sofrido tortura

Sexta, 15 de Junho de 2007 às 07:50, por: CdB

A irmã do engenheiro João José Vasconcellos, Isabel, disse que foi informada pelo governo brasileiro que ele foi morto por "ferimentos diversos" depois de ter desaparecido no Iraque em janeiro de 2005.

"O atestado de óbito lavrado pela embaixada do Brasil no Kuwait só diz que foram ferimentos diversos", contou ela à BBC Brasil. As marcas no corpo levantaram as suspeitas de que Vasconcellos sofreu tortura enquanto estava em poder dos seqüestradores.

"Fala do desaparecimento e que ele teria sido morto no Iraque", disse.

O documento não diz quando ele teria sido morto.

A família foi informada há uma semana de que o corpo do engenheiro foi encontrado pelas tropas aliadas, no Iraque.

Nesta quinta-feira, o Itamaraty divulgou uma nota informando que os restos mortais de Vasconcellos haviam sido encontrados e já estavam em São Paulo.

Isabel atribui a entrega do corpo aos apelos que foram feitos pela família para que os sequestradores se manifestassem.

"Achamos que agora eles tiveram a oportunidade de entregar", afirmou.

Do Iraque, o corpo foi levado para o Kuwait, para uma base de identificação, onde a arcada dentária foi comparada com exames do engenheiro.

De acordo com Isabel, nenhum membro da família viajou ao Oriente Médio.

O traslado foi organizado pelo governo brasileiro e pela construtora Norberto Odebrecht, onde o engenheiro trabalhava quando foi seqüestrado.

Vasconcellos desapareceu em janeiro de 2005 depois de ser levado como refém em uma emboscada ao veículo em que viajava, nos arredores da cidade de Baji.

Poucos dias depois, a TV árabe Al Jazeera, baseada no Catar, divulgou imagens de documentos pesssoais e pertences do engenheiro, assim como uma reivindicação do ataque pelos grupos Brigadas Al Mujaheddin e Exército Ansar al-Sunna.

Isabel não quis falar sobre a atuação do governo brasileiro no caso. Nesta quinta-feira, ela  foi a São Paulo para acompanhar o transporte do corpo para Juiz de Fora, onde mora a família e onde o engenheiro será enterrado.

 "No momento não está dando nem para avaliar, não", disse.

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