Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Brasileiro gasta mais com TV a cabo e Internet do que com arroz e feijão

Sexta, 09 de Janeiro de 2004 às 07:15, por: CdB

 O brasileiro já destina uma fatia maior do orçamento para gastos com internet e TV e a cabo do que para a compra do tradicional feijão com arroz. A queda na renda, o aumento das tarifas acima da inflação e a oferta de novos serviços alteraram a composição do orçamento familiar.

Avançou, também, o peso dos preços administrados (tarifas). E caiu a parcela das despesas com saúde e compra de veículos, conforme a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A POF servirá de base para a nova ponderação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela entidade. Apesar da variação marcante em alguns sub itens, o peso dos sete grupos do IPC - alimentação, habitação, vestuário, saúde, educação, transporte e diversas - não se modificou significativamente e a nova ponderação não alterará a tendência de queda da inflação no varejo.

Os gastos com tarifas avançaram por causa dos fortes reajustes de preços no período, como eletricidade (136,01%), gás de bujão (220,62%) e telefone residencial (75,35%). Com isso, o peso de oito serviços públicos residenciais avançou 26%. Na POF de 1999/2000 era de 10,9% e na de 2002/2003, divulgada nesta quinta-feira, passou para 13,8% do orçamento familiar.

Na mesma comparação, os gastos com serviços diversos, que inclui internet e TV por assinatura, quase triplicou, de 0,6% para 1,69%. A cada R$ 100,00 do orçamento, R$ 1,47 vão para os dois serviços, enquanto apenas R$ 1,30 para a compra de arroz e do feijão. Segundo a FGV, este avanço representou uma diversificação na pauta de consumo, resultado do aumento da oferta deste tipo de serviço.

A casa da decoradora Regina Maria Braga Ribeiro, de 54 anos, é um bom exemplo da tendência que vigorou nos últimos anos. No período, a família chegou a ter três pontos de TV por assinatura e dois computadores com acesso à internet, com linhas telefônicas distintas. O amplo acesso a novos serviços, entretanto, não resistiu à crise de 2003 e no segundo semestre os gastos em serviços, depois de crescerem muito, foram racionalizados.

- Reduzimos, mas não cortamos, porque estes serviços já fazem parte da nossa vida. Não consigo me ver hoje sem TV a cabo - diz ela.

A queda na renda dos trabalhadores brasileiros foi responsável pelo tombo na participação dos gastos com a compra de veículos novos e usados no orçamento: representavam 2,5% na pesquisa anterior e despencaram para 0,6%, na atual.

Outros gastos com veículos, como manutenção e reparos, minguaram de 1,6% para 1,1%. Gastos com tratamentos médicos, planos de saúde e remédios encolheu de 7,7% para 5,7%.

Por grupos, a divisão de gastos no orçamento é a seguinte: alimentação 27,5%; habitação 31,8%, vestuário 5,4%, saúde 10,4%, educação 8,7%, transporte 11,7% e despesas diversas 4,5%. Na alimentação, houve um aumento de peso (2,3 pontos), resultado do aumento de preços em 2003, que ampliou o valor dos gastos.

A consolidação de novos hábitos aumentou o consumo e o peso dos gastos de alguns produtos, que passarão a ser incluídos na pesquisa de preços da FGV.

Este é o caso de itens como transporte de vans, aparelhos de DVD, alimentos light, Gás Natural Veicular (GNV), que integrarão a lista de 476 sub itens cujos preços serão coletados para o IPC da FGV.

Entram também frutas cujo consumo tem aumentado, como acerola, cupuaçu e kiwi e produtos como moderadores de apetite. No caminho contrário, deixam a lista aparelhos de fax, de videocassete, lavadora multiuso a vapor, linha telefônica, aplicação de sinteco, sabão em pasta.

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