Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Brasileiro come menos, revela IBGE

A comparação dos dados levantados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, com os do Estudo Nacional da Despesa Familiar revela que numa lista de 20 alimentos mais consumidos pelas famílias brasileiras caiu de 213 quilos para 186 quilos o consumo anual por pessoa.(Leia Mais)

Quarta, 19 de Maio de 2004 às 07:55, por: CdB

A comparação dos dados levantados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2002-2003), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, com os do Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef-1974) revela que numa lista de 20 alimentos mais consumidos pelas famílias brasileiras caiu de 213 quilos para 186 quilos o consumo anual por pessoa.

Dentre os produtos cujo consumo sofreu maior queda destacam-se o arroz polido, de 31,571 quilos para pouco mais de 17 quilos por pessoa ao ano; a batata inglesa, de 13,415 quilos para 5,468 quilos; e o açúcar refinado, de 15,790 quilos para 8,200 quilos por pessoa ao ano.

Já entre os produtos cujo consumo aumentou estão a abóbora comum, de 1,626 quilos para 4,173 quilos por pessoa ao ano; o refrigerante de guaraná, de 1,297 quilos para 7,656 quilos; e o de água mineral, de 0,32 quilos para 18,541 quilos por pessoa ao ano.

O consumo de óleo de soja e de macarrão pelas famílias brasileiras permaneceu praticamente inalterado.

Sem dinheiro

Segundo a pesquisa, cerca de 85% dos brasileiros encontram algum tipo de dificuldade para chegar ao final do mês com o rendimento de que dispõem. Desse total, 27,2% disseram ter muita dificuldade.

Na capital federal, o eletricista Ribamar Mendes diz conhecer de perto o problema de conviver com o orçamento apertado. O dinheiro que recebe acaba antes do dia 20 de cada mês. "Geralmente não tenho condições de pagar certas contas, que ficam para o outro mês, porque o salário é baixo", lamenta.

- Há alguns anos a gente conseguia fazer alguma economia, alguma poupança. E fazia algumas viagens, o que hoje não é possível, a não ser com empréstimo, financiamento por não sei quantos meses. Realmente, a gente tá enforcado - afirmou.

A pesquisa do IBGE revela ainda que as famílias comprometem 93,26% dos rendimentos com sua própria manutenção - 13,4% a mais que em 1975.

Um salário

Oitenta e sete milhões de brasileiros pertencem a famílias que sobrevivem com uma renda mensal de até cinco salários mínimos. Esta é uma das informações fornecidas pela POF 2002-2003, referente ao período que vai de julho de 2002 a junho de 2003, quando foram coletados os dados. O salário mínimo vigente na época era de R$ 200,00.

O total inclui 26.502.399 brasileiros que sobrevivem sem rendimento ou com rendimento inferior a dois salários mínimos por mês. A pesquisa revela ainda que 89 milhões de brasileiros pertencem a famílias que têm uma renda mensal superior a cinco salários mínimos (R$ 200,00 na época em que foram coletados os dados). Deste total, 8.945.013 pessoas pertencem a famílias com renda superior a 30 salários mínimos por mês, ou seja, aproximadamente 5% da população brasileira.

Pesquisa inédita

A Pesquisa de Orçamentos Familiares - 2002-2003 traz, pela primeira vez, aspectos subjetivos que revelam as condições de vida da população brasileira. Realizada no período de julho de 2002 a junho de 2003, a pesquisa fornece informações sobre os hábitos de consumo, as características das despesas e as dos rendimentos, com base no orçamento das famílias.

Responderam à pesquisa habitantes de 44.248 domicílios de 3.948 setores geográficos nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre (Município da Capital, Região Metropolitana sem o Município da capital e restante da área urbana) e da zona rural de cada uma das grandes regiões do país.

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