Brasileirinhos Apátridas criam o Estado Emigrante
Quinta, 16 de Agosto de 2007 às 10:13, por: CdB
No começo da campanha Brasileirinhos Apátridas senti haver um tabú a ser derrubado, principalmente nos EUA – falar em filhos de emigrantes brasileiros pegava mal, o pessoal queria uma outra fórmula mais simpática -filhos de brasileiros nascidos no Exterior.
Ora, sem os brasileiros do Exterior assumirem sua condição de emigrantes seria difícil se pleitear grandes coisas. Seus filhos teriam nascido numa viagem de férias? Seriam prematuros vindos numa escala de avião?
Existem emigrantes de diversas classes e mesmo os clandestinos, mas todos são emigrantes, pois deixaram o Brasil e se fixaram num outro país com intenção de ficar por algum tempo, embora a maioria vá acabar ficando para sempre. A conscientização da condição de emigrante é básica para se reunir e formar comunidades e se fazer reivindicações.
Acho que o tabú foi quebrado. Hoje já se pode dizer, sem medo de ofender, que o movimento Brasileirinhos Apátridas, em favor dos filhos da emigração brasileira (nos EUA, nos países europeus ou no Japão) foi o primeiro movimento aglutinador dos emigrantes brasileiros que também organizou as primeiras manifestações internacionais da emigração brasileira diante de Consulados, em diversas partes do mundo.
A Internet foi um extraordinário instrumento de reunião, pois facilitou o encontro entre emigrantes de diferentes países e permitiu se sentirem próximos, mesmo juntos, na defesa dos mesmos objetivos.
A emigração brasileira é ainda um fenõmeno social recente, estamos longe da experiência dos portugueses, acostumados a emigrar mesmo antes da descoberta do Brasil. Isso porém, não excusa o governo e o Itamarati de entrar num curso intensivo de aprendizado em matéria de emigração. Com a grande vantagem de dispor, nesse aprendizado, de comunidades brasileiras ativas, prontas a mostrarem suas necessidades mais prementes, mesmo porque até agora praticamente nada se fez em favor dos emigrantes.
A grande prova foi o erro cometido na revisão constitucional de 94, retirando-se a nacionalidade dos filhos dos emigrantes e os mais de 13 anos para se corrigir esse erro. Embora eu tivesse sido crítico severo quanto aos Consulados, durante esse período, pois sonegavam uma informação correta aos pais emigrantes sobre a nacionalidade de seus filhos, sou condescendente com os legisladores. Na verdade, o Brasil tem numerosos problemas internos para resolver e é compreensível o desinteresse com que foi tratada a situação dos brasileirinhos, até surgirem os deputados Carlito Merss, Rita Camata e Leo Alcântara.
Na verdade, se a comunidade brasileira emigrante tivesse esperado um gesto paternalista dos legisladores ou do governo, nada teria sido solucionado. Os emigrantes são 2,5% da população, não têm peso político e estão espalhados pelo planeta.
Foi necessário um exercício de cidadania em termos coletivos e com dimensão internacional. E essa a grande importância – além de ter obtido a restituição da nacionalidade brasileira aos filhos da emigração – do movimento Brasileirinhos Apátridas: criou uma consciência internacional entre os emigrantes brasileiros que permitiu agirem reivindicando unidos em favor de seus filhos.
O objetivo era bastante consensual, mas isso em nada minimiza a luta e a vitória dos emigrantes. Foi agora aberto o caminho para novas lutas, pois os emigrantes perceberam terem força ao agirem unidos.
Quais poderão ser as novas campanhas ? Por que não em favor da aposentadoria dos emigrantes, para que seja contado o tempo trabalhado no Exterior para quem retorna ao Brasil e no Brasil para qu