Brasileira é condenada por jogar ácido em enteadas na Bélgica
Uma brasileira de 36 anos foi condenada a 30 anos de prisão na Bélgica, por jogar ácido nas duas filhas de seu então namorado. O crime, que chocou o país, ocorreu em novembro de 2011 na cidade de Kontich, 40 quilômetros ao Norte de Bruxelas.
O advogado Jan de Man (na primeira fila, esq.) e a advogada Hilde Beeldens representam Daniela Mancini (centro, acima) no julgamento em Antuerpia
Uma brasileira de 36 anos foi condenada a 30 anos de prisão na Bélgica, por jogar ácido nas duas filhas de seu então namorado. O crime, que chocou o país, ocorreu em novembro de 2011 na cidade de Kontich, 40 quilômetros ao Norte de Bruxelas.
De acordo com o tribunal da cidade de Antuérpia, Daniela Mancini aproveitou uma ausência momentânea do pai das vítimas para jogar nas meninas, de dois e cinco anos, um ácido utilizado para desentupir banheiros.
A mais nova foi internada com risco de morte, sofreu queimaduras de terceiro grau e terá sequelas irreversíveis. Já a irmã mais velha sofreu queimaduras de segundo grau e agora lida com o trauma psicológico.
Ao justificar a imposição da pena máxima, o júri destacou que as vítimas não tiveram "absolutamente nenhuma chance contra as ações de Mancini", cuja atitude qualificou de "imoral".
Também considerou o ataque premeditado, já que a brasileira teve o cuidado de transferir o líquido corrosivo para uma garrafa sem rótulo, levá-la ao carro de seu namorado e prender as vítimas com o cinto de segurança antes de pulverizá-las até acabar o produto.
A advogada de acusação, Alexandra Van Kelst, recordou que as meninas "levarão por toda a vida esta marca abominável", em um "mundo cruel onde a aparência tem um papel tão importante".
- Todos os dias, ao se olhar no espelho, elas se lembrarão de Mancini - disse.
Projeto fracassado
Depois de uma semana de audiência, o tribunal concluiu que o crime foi motivado pelo ódio que a brasileira sentia pelas crianças e pela ex-mulher de seu namorado, identificado apenas por seu primeiro nome, Axel.
- Seu relacionamento (com o pai das meninas) era sua chance de levar uma vida próspera, mas suas filhas eram uma ameaça - concluiu o júri.
Axel conheceu Mancini, ex-modelo, durante uma viagem de trabalho ao Brasil e a convenceu a se mudar para a Bélgica em maio de 2011.
Segundo os advogados de defesa, antes de chegar ao país a brasileira não sabia que o homem tinha duas filhas e que ainda não estava divorciado e, o descobrir a situação, "sentiu que seu projeto havia fracassado".
Mancini admitiu os fatos e pediu perdão às meninas e à família.
- Me arrependo do fundo do meu coração. Assumo toda a responsabilidade - afirmou antes da deliberação do júri.
Ela negou, no entanto, ter premeditado o ataque, que atribuiu a um acesso de raiva depois de uma briga com Axel.
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