Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Brasil vive recessão embora sinais de recuperação estejam à vista

Ministro da Fazenda, o economista Guido Mantega disse, nesta terça-feira, que o resultado da produção nacional, no primeiro trimestre deste ano, foi melhor do que o mercado estava projetando. Entre janeiro e março, a economia brasileira contraiu-se menos do que o esperado, mas ainda assim confirmou um quadro de recessão técnica com dois trimestre consecutivos de queda. (Leia Mais)

Terça, 09 de Junho de 2009 às 10:06, por: CdB

Ministro da Fazenda, o economista Guido Mantega disse, nesta terça-feira, que o resultado da produção nacional, no primeiro trimestre deste ano, foi melhor do que o mercado estava projetando.

– Aliás, ninguém acertou. Todo mundo estava falando que ia cair 3%, 2,5%, 2% e na verdade a queda foi de 0,8% – disse.

Segundo o ministro, a baixa se deveu fundamentalmente à queda de investimentos na indústria de modo geral. Ele lembrou que o consumo das famílias e do governo sustentaram o nível de atividade. Mantega disse também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com o resultado, que mostra a capacidade de recuperação da economia brasileira. Brasil "já mostra sinais de recuperação em relação ao que passou", disse a jornalistas.

– Mas, para ter PIB positivo, vamos ter que fazer muito esforço. O governo terá que fazer políticas monetária e fiscal anticíclicas para estimular o crescimento – acrescentou o ministro.

Mantega informou ainda que será publicada na quarta-feira medida provisória facilitando as garantias para que pequenas e médias empresas tenham mais acesso a crédito.

Recuperação

Entre janeiro e março, a economia brasileira contraiu-se menos do que o esperado, mas ainda assim confirmou um quadro de recessão técnica com dois trimestre consecutivos de queda. Economistas avaliam que o dado melhor do início deste ano mostra que o pior dos efeitos da crise global sobre o país pode mesmo ter ficado para trás. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,8 %, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Sobre o primeiro trimestre de 2008, o recuo foi de 1,8 %. Economistas consultados pela Reuters previam queda de 2,6 % na comparação trimestral, segundo a mediana de 25 respostas que variaram de queda de 1,2 a 3,8 %. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a mediana de 26 projeções apontava queda de 2,0 % e os prognósticos variaram de alta de 1,5 % a recuo de 3,0 %.

– Com esse resultado mais forte, automaticamente o PIB previsto para este ano sobe pois a base está sendo alterada... Afasta bem o risco de crescimento negativo no ano – afirmou Marcelo Castello Branco, economista-chefe da BR Investimentos.

Frente ao último trimestre do ano passado, a formação bruta de capital fixo --uma medida dos investimentos-- despencou 12,6 %. Foi a maior queda desde o início da série histórica, iniciada em 1996.

Já o consumo mostrou alguma força. O das famílias cresceu 0,7 % e o do governo teve alta de 0,6 %.

Entre os setores, a indústria encolheu 3,1 % na comparação com o final de 2008, a agropecuária caiu 0,5 % e os serviços cresceram 0,8 %.

O IBGE informou ainda que a taxa de investimento ficou em 16,6 % do PIB no primeiro trimestre, a menor para o período desde 2005.

Consumo em alta

Em relação ao mesmo período do ano passado, a formação bruta de capital fixo recuou 14%, enquanto o consumo das famílias cresceu 1,3% e o do governo aumentou 2,7%. A indústria caiu 9,3 % e a agropecuária cedeu 1,6 %. Os serviços, por outro lado, subiram 1,7 %. Segundo o IBGE, indústria e investimentos tiveram a maior queda desde 2006 nessa comparação.

Os juros futuros reagiram com alta à divulgação de que a economia estava menos fraca que o temido na abertura do ano. Para alguns analistas, o espaço para corte mais agressivo da Selic nesta quarta-feira fica mais limitado.

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