Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Brasil vai gerar energia a partir das ondas do mar

Quarta, 04 de Fevereiro de 2004 às 06:31, por: CdB

A Eletrobrás, a Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o governo do Estado assinaram, nesta quarta-feira, convênio para o desenvolvimento da primeira geradora de energia a partir do balanço das marés do Brasil. A usina, que deverá gerar  energia para 200 famílias do Ceará, tem prazo de instalação para 2006 em local a ser definido do litoral cearense.

O custo dos estudos gira na ordem de cerca de R$ 400 mil à Eletrobrás e serão desenvolvidos no laboratório oceânico da Coppe, uma área coberta no Fundão, Zona Norte do Rio, onde funciona um tipo de piscina gigante com simuladores das condições climáticas do oceano, com geração de ondas e ventos. O primeiro protótipo já está pronto e o projeto prevê que a usina gere 400 megawatts (MW) em sua primeira fase.

Estudo realizado no litoral das regiões Sul e Sudeste apontam um potencial de 40 mil MW.

- O Ceará, ao lado da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, tem as melhores condições para esse tipo de energia, com ventos constantes que provocam boas ondas - explicou o professor de Coppe Segen Estefen. Segundo ele, o potencial estimado de geração de energia nos oceanos chegaria a 2 milhões de MW, suficiente para abastecer todo o planeta.

A energia gerada pelas ondas é renovável, tem pouco impacto ambiental, mas precisa de acompanhamento da Marinha para evitar transtornos ao transporte marítimo. O protótipo desenvolvido pela Coppe vai usar o balanço das marés para bombar água para um tanque de alta pressão. Desse tanque, a água é injetada em uma turbina que acionará o gerador de energia.

- A pressão da água fará o papel das quedas d'água usadas para gerar energia em hidrelétricas. O custo dessa energia é equivalente ao das usinas hidrelétricas - comparou o professor, que calcula o investimento para a geração de 1 MW em US$ 1 bilhão.

Com 8,5 mil quilômetros de costa e grande concentração urbana próximo ao litoral, o Brasil tem condições propícias para desenvolver esse tipo de energia, diz Estefen. A energia das ondas poderia complementar a energia eólica, pois geralmente bons ventos propiciam boas ondas. O Ceará, por exemplo, é pioneiro na utilização da energia dos ventos. O Estado tem três parques eólicos, com capacidade para gerar 17,4 MW

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