Mesmo não se tratando de uma produção 100 por cento brasileira e sim de uma co-produção internacional, "Diários de Motocicleta" terá todas as atenções do Brasil na competição pela Palma de Ouro, no Festival de Cinema de Cannes, que começa na quarta-feira.
Além do Brasil, figuram nos créditos do filme a Inglaterra, cujo canal Film Four foi o grande financiador, e também o Peru e a Argentina, onde foi rodado parte do filme.
O motivo principal é a direção de Walter Salles, um dos orgulhos do cinema nacional, autor do premiado "Central do Brasil" que, por vencer o Urso de Ouro e também um de Prata (para a atriz Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim em 1998, teve desenhada uma carreira internacional cada vez mais promissora. Salles nunca participou da competição em Cannes, mas já foi parte do júri principal, em 2002.
Outro talento brasileiro na ficha técnica de "Diários de Motocicleta" é o jovem montador Daniel Rezende, vencedor de um Bafta, principal prêmio do cinema na Inglaterra, no ano passado, pela montagem de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles.
Na competição oficial de curtas, que também vale Palma de Ouro, está "Quimera", de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, que estreou como cineasta justamente com um sensível documentário sobre o pai, que ele mal conheceu, "Rocha que Voa" (2002).
A presença imorredoura de Glauber, cujo prestígio permanece intocado na França mais de 20 anos após sua morte, é celebrada igualmente na nova seção de Clássicos de Cannes, que reserva uma de suas generosas fatias ao cinema brasileiro.
Comemorando os 40 anos do Cinema Novo, será exibida uma mostra de filmes nacionais restaurados, representativos deste e de outros momentos da sétima arte no Brasil.
Entre os dias 14 e 18 de maio, serão projetados em cópias novas os seguintes títulos: "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (exibido na competição em Cannes, há 40 anos) e "Terra em Transe", ambos de Glauber; "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos; "Bye Bye Brasil", de Cacá Diegues; "Dona Flor e seus Dois Maridos", de Bruno Barreto, "Cinema Falado", de Caetano Veloso, e o documentário "Glauber, o Filme: Labirinto do Brasil", de Silvio Tendler, recentemente exibido no país e que mostra cenas inéditas do sepultamento do cineasta baiano.