O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta um crescimento de 4,8% para a economia brasileira, em 2008, com um aumento de 0,3% em relação à projeção anterior, em janeiro. Os dados constam do relatório World Economic Outlook, divulgado nesta quarta-feira, em Washington. Segundo o documento, o crescimento brasileiro será maior do que o da economia global, que teve seu crescimento reduzido em 0,5 ponto percentual após o início da crise de crédito iniciada nos EUA. Em 2008, a economia global deverá aumentar 3,7%. Para 2009, no entanto, o fundo prevê um ligeiro declínio, em relação a seu levantamento anterior.
A projeção do FMI para a economia do Brasil, em janeiro, era de um crescimento de 4% em 2009, mas a estimativa do relatório atual é que o crescimento no ano que vem deverá ser de 3,7%. No estudo, o fundo destaca que tanto o Brasil como outras nações latino-americanas vêm conseguindo se manter relativamente distantes da desaceleração econômica dos Estados Unidos.
As exceções, segundo o fundo, foram o México, cuja economia é muito atrelada à americana e os países caribenhos, que sofreram com o declínio do setor de construção nos Estados Unidos. A avaliação do FMI é que a situação de estabilidade no Brasil pode ser parcialmente atribuída ao fato de que o país vem conciliando um ritmo de crescimento constante com quedas em suas taxas de juros e um forte índice de emprego.
O bom desempenho de outros países da região se deu, segundo o fundo, devido ao fato de que nações como Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela são fortes exportadores de commodities.
América do Sul
O FMI prevê, porém, que o crescimento da América do Sul e do México sofrerá um declínio em 2008, caindo para 4,3% e para 3,6%, em 2009. O índice de 2007 foi de 5,6%. O relatório comenta que o crescimento mais modesto na região deverá se dar por conta de fatores como a influência de condições financeiras externas menos favoráveis e do endurecimento das condições monetárias.
Segundo o documento, mesmo uma "economia latino-americana cada vez mais aberta não deixará de ser ferida por um declínio mundial mais profundo".
"A combinação de quedas de preços de commodities, um crescimento mais fraco dos mercados externos, a intensificação das dificuldades financeiras de bancos americanos e europeus ativos na América Latina e uma queda nos preços de exportação de commodities terão um peso considerável na dinâmica de crescimento da América Latina", diz o FMI.
A instituição ressalta que a região desfruta de uma "posição robusta" no cenário internacional, capaz de prevenir interrupções de crescimento como as que ocorreram frente a crises do passado.
Recessão moderada
Ainda no estudo, o FMI prevê que os Estados Unidos viverão uma ''recessão moderada'' em 2008. Segundo a instituição financeira, a correção no setor imobiliário norte-americano ''permanecerá sendo um fardo e uma fonte de incerteza para os mercados financeiros''. Os dados constam do relatório World Economic Outlook, divulgado pelo Fundo nesta quarta-feira.
O quadro atual da economia americana, de acordo com o FMI, resultará em um ''recessão moderada, a despeito dos agressivos cortes de taxas de juros pelo Federal Reserve e da implementação na hora certa de um pacote de estímulo fiscal''. Desde setembro do ano passado, o Federal Reserve ou Fed, como é conhecido o Banco Central americano, vem promovendo sucessivos cortes da taxa de juros. Além disso, o governo americano propôs um pacote de estímulo econômico de aproximadamente US$ 150 bilhões.
Declínio
O FMI estima que a economia americana crescerá 0,5% em 2008, o que representa uma queda de um ponto percentual em relação à estimativa feita pelo órgão em janeiro deste ano.
Conforme já havia adiantado o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em recente entrevista, o crescimento da economia global será de 3,7