O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se envolver nas negociações para tentar libertar o engenheiro brasileiro João José Vascncelos Jr, que está em poder de rebeldes iraquianos desde a última quarta-feira,
Segundo o Itamaraty, Lula vai ligar nesta terça-feira para lideranças políticas na região para sensibilizar esses países em relação ao seqüestro. O Itamaraty não especificou quais seriam essas lideranças.
O governo brasileiro decidiu também enviar o embaixador extraordinário para Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto, para acompanhar de perto o caso do engenheiro. O envio do embaixador representa uma mudança na postura da diplomacia brasileira, que até o final de semana havia deixado a construtora Norberto Odebrecht no comando de eventuais negociações com os seqüestradores. A avaliação era que o Brasil - que foi contra a guerra no Iraque - liderando as negociações daria um peso político desnecessário para o caso.
Segundo o Itamaraty, o destino de Ouro-Preto, que viaja também nesta terça-feira, deverá ser Amã (capital da Jordânia), onde o Brasil conta com um núcleo de Iraque. O país não tem mais representação diplomática no Iraque por questões de segurança.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, Ouro-Preto deve usar a embaixada como uma base de trabalho, mas poderá se deslocar para Bagdá, caso tenha necessidade.
O diplomata brasileiro Paulo Jooper, responsável pelo núcleo Iraque na Jordânia, confirmou nesta segunda-feira à Folha Online que a Odebrecht atua no caso "em colaboração com o Itamaraty".
Jooper disse também que no início do problema a Odebrecht pediu para agir sozinha.
- Depois disso, eu não sei. Mas de qualquer maneira, todo passo que a empresa dá é comunicado ao Itamaraty - afirmou.
A família do engenheiro disse esperar por contatos da construtora e do governo, mas disse estar se preparando para enfrentar uma longa espera até o desfecho do caso. Segundo o irmão da vítima Luiz Henrique de Vasconcelos, os familiares adotaram uma postura realista para enfrentar o drama que estão vivendo.
- O que a gente viu nesses processos de seqüestro passados é que o tempo entre a data do seqüestro e o primeiro comunicado (dos seqüestradores) demora. Por ser o Iraque um país altamente vigiado pelas tropas americanas, o deslocamento deles (dos seqüestradores) com a pessoa é feito lentamente até um local que eles considerem seguro para a partir dali fazer o contato - afirmou o irmão do funcionário da construtora Norberto Odebrecht.