Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

Brasil tem informação dirigida

Terça, 26 de Junho de 2007 às 08:51, por: CdB

Antes de partir em férias para só retornar em meados de agosto, sem garantia de enviar colunas nessas seis semanas, e enquanto aguardo a inclusão na pauta da Câmara Federal da Emenda 272.00, que restitui a nacionalidade brasileira para os filhos da emigração, quero deixar só algumas idéias para o debate sobre liberdade de imprensa.

O tema me interessa desde a época do exílio, quando escolhi como título de minha tese de doutorado "A liberdade de imprensa nos países subdesenvolvidos", depois de terminar o Institut Français de Presse, na época na rue St. Guillaume, em Paris.

Sobreviver era difícil e o tema perigoso, agravado pela falta de tempo para fazer as pesquisas. A tese acabou ficando só na vontade mas o tema continua atual.

Naquela época em que se falava em países subdesenvolvidos, a esquerda justificava a informação nas mãos do partido único. Porém, o monopartidarismo não deu certo e a imprensa estatal não tem mais defensores. A solução é, então, a imprensa hoje existente nos países emergentes ? Será que, nos dias de hoje, o excesso de informação é sinônimo de liberdade de opinião ?

No país de partido único, só existe a informação aprovada pelo poder. Na nossa imprensa livre ocidental, a liberdade de opinião resulta de um equilíbrio entre os grupos econômicos e seus interesses e os grupos de pressão populares. Com uma boa dose de otimismo, se poderia dizer que, em alguns países europeus se está próximo desse equilíbrio.

Existem veículos de informação de direita e de esquerda. A direita possui mais recursos para impor seus pontos de vista, porém, a esquerda dispõe também de veículos de informação e sua influência se faz sentir em setores básicos da sociedade como o da educação.

Porém, em países emergentes como o Brasil será que o setor privado garante o exercício da livre opinião com seus múltiplos jornais, revistas, rádios e televisões ? Seria muita ingenuidade se responder afirmativamente. Existe, sem dúvida uma informação dirigida, com resultados visíveis em favor dos responsáveis por esses programas. Os grupos detentores de redes de rádio e televisão são capazes de "fazer a cabeça do povo".

Os dois exemplos mais evidentes são a Globo e as redes evangélicas. A Globo, no passado, elegeu Collor presidente e, embora não tenha conseguido evitar Lula, é a orientadora do comportamento social do povo, lançando modas e tendências. As redes evangélicas estão tirando rapidamente da Igreja católica a primazia em matéria de religião.

A situação se torna ainda mais evidente numa época, como a nossa, de pensamento único e de massificação geral. Restam pequenos espaços de pensamento livre, garantidos por portais independentes na internet. No setor da imprensa papel, os impressos destoantes do côro geral são de tiragens mínimas e sem condições de oferecer opções diversas de opiniões à população.

Continua existindo uma diferença importante com relação aos regimes autoritários ou ditatoriais : pode-se divergir do pensamento geral, existe a possibilidade de uma liberdade individual de pensamento para quem consegue escapar do raciocínio formatado para uso coletivo.

Pode-se escrever como nesta coluna, pode-se editar livros (desde que se consiga editores) para contar o mundo de outra maneira. É uma grande vantagem, diante de regimes incapazes de aceitar e respeitar divergências. Porém, para se evitar abusos, o ideal seria o de se criar mecanismos capazes de restabelecer o equilíbrio. Seja limitando-se o tamanho e o poder das redes nacionais de informação, seja dando-se recursos para opiniões divergentes poderem criar jornais e canais de televisão, ou ainda criando-se redes nacionais de rádio e televisão, ligadas ao Estado com o objetivo de garantir o equilíbrio em termos de defesa da nossa cultura contra a cultura importada e um tratamento diferenciado da informação.

A França, país respeitado pela sua liberdade de imprensa, tem canais de televisão ligados

Tags:
Edições digital e impressa