Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Brasil tem em dezembro maior perda de empregos desde 1999

Segunda, 19 de Janeiro de 2009 às 17:13, por: CdB

A economia brasileira fechou mais de 650 mil postos de trabalho com carteira assinada em dezembro, marcando o pior desempenho desde maio de 1999, mostraram dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram fechadas 654.946 vagas com carteira assinada. O número supera a estimativa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, de 600 mil postos, e também os 300 mil postos que tradicionalmente são perdidos em meses de dezembro.

- O presidente Lula, de maneira geral, está otimista quanto às possibilidades que o governo tem de trabalhar para enfrentar a crise e enfrentar esses números - afirmou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, logo após a divulgação do relatório.

A perda no mês passado foi mais que o dobro do apurado em dezembro de 2007, quando foram fechadas 319.414 vagas com carteira assinada no país.

- Obviamente, já é o efeito forte da crise - afirmou a jornalistas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, referindo-se aos efeitos da crise financeira global que desde meados de setembro tem afetado o ritmo de atividade econômica no país.

Apesar dos cortes em dezembro, a economia brasileira gerou 1,45 milhão de empregos formais em 2008, ante criação de 1,62 milhão em 2007, informou o ministro.

Uma das prioridades do governo federal é a ampliação do número de empregos formais no país, mas diversas setores têm começado a anunciar cortes de pessoal, diante das dificuldades geradas pela crise de crédito.

O presidente Lula terá uma reunião ainda nesta segunda-feira com representantes de centrais sindicais para discutir a questão do emprego.

Na semana passada, sindicalistas e empresários se reuniram na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir alternativas para tentar evitar o corte de postos de trabalho.

Lupi deixou claro que o governo tomará todas as medidas necessárias para evitar uma piora no quadro do emprego no país.

- Vamos ter atitudes fortes para a geração de emprego - afirmou o ministro sem dar mais detalhes.

Ele reiterou que o uso de recursos do FGTS e do FAT para ajudar algumas indústrias deve ser atrelado a salvaguardas e proteção de empregos.

- É incoerente (usar) dinheiro dos trabalhadores para demitir trabalhadores - afirmou.

Os cortes de emprego pesaram na indústria e na agricultura, além de nos setores de serviços e de construção.

Tags:
Edições digital e impressa