A presidente argentina, Cristina Kirchner, deve continuar dando grande importância à Venezuela como parceira internacional, mas há espaço para que o Brasil reforce os laços com o país vizinho. Essa é a opinião de acadêmicos e políticos argentinos entrevistados pela Agência Brasil.
O cientista político Martín D’Alessandro, da Universidade de Buenos Aires (UBA), acredita que a Venezuela continuará sendo um forte parceiro da Argentina. Ele acha, no entanto, que a postura “cada vez menos confiável” do presidente venezuelano Hugo Chávez em questões internacionais pode ser uma chance para que Brasília amplie ainda mais suas relações com Buenos Aires.
— A Venezuela colocou muito dinheiro na Argentina e há, inclusive, suspeitas de que enviou dinheiro ilegalmente para a campanha presidencial de Cristina Kirchner. Mas Chávez é um líder regional cada vez menos confiável: sua ambição regional, sua afinidade com as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], seu discurso belicista para com a Colômbia, as restrições a algumas liberdades individuais dos opositores são gestos que comprometem uma busca de consensos dentro do Mercosul —, afirmou D’Alessandro.
Para o cientista político, Cristina Kirchner está mais preocupada com questões institucionais e com o Mercosul que seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. E, justamente por isso, “voltará sua atenção para o Brasil”.
O deputado nacional Agustín Rossi, presidente do principal bloco partidário governista na Câmara dos Deputados da Argentina, afirma que a Venezuela é uma importante aliada de seu país, mas as relações com o Brasil são a “base da política internacional argentina”.
— A Venezuela é um país com que temos relações, assim como temos com o resto do bloco regional. Estamos agradecidos por muitas atitudes que o governo venezuelano teve com o governo argentino e queremos que ela se integre como membro pleno do Mercosul. Mas temos a firme convicção de que o eixo articulador de uma política de integração na América Latina passa pelas boas relações entre a Argentina e o Brasil —, ressaltou o deputado.
Já o diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Buenos Aires (UBA), Jorge Mayer, acha que Cristina já elegeu a Venezuela como prioridade número um pelos próximos quatro anos por causa da ajuda financeira vinda de Caracas.
— Em matéria de relações internacionais, os Kirchner, tanto Néstor quanto Cristina, tratam de estabelecer boas relações com o Brasil, mas privilegiam as relações com a Venezuela. Por questões que se referem ao lado financeiro, porque a Venezuela está comprando bônus e ajudando a financiar a dívida externa argentina —, afirmou.
De acordo com um levantamento do Ministério da Economia e Produção da Argentina, que analisou os sete primeiros meses de 2007, o Brasil foi o principal parceiro comercial daquele país, sendo o destino de 19% das exportações e a origem de 33% das importações. Mas, no período de um ano, a Venezuela aumentou sua participação como compradora da Argentina em 60%, enquanto o Brasil cresceu 28%.
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A presidente argentina, Cristina Kirchner, deve continuar dando grande importância à Venezuela como parceira internacional, mas há espaço para que o Brasil reforce os laços com o país vizinho. Essa é a opinião de acadêmicos e políticos argentinos entrevistados pela Agência Brasil.(Leia Mais)
Sábado, 23 de Fevereiro de 2008 às 10:39, por: CdB