Rio de Janeiro, 02 de Janeiro de 2026

Brasil tem a menor proporção de padres do mundo católico

Quarta, 14 de Março de 2007 às 08:58, por: CdB

Dados de 2006 do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostram que a proporção de padres no Brasil é a mais baixa do mundo entre os países católicos e é insuficiente para atender todos os católicos do país.

Enquanto no Brasil há 18.685 padres, uma média de um sacerdote para mais de 10 mil habitantes, na Itália, existe um padre para mil habitantes.

A proporção do Brasil fica atrás mesmo quando comparada com a de países que não são oficialmente católicos como os Estados Unidos (um padre para 6,350 habitantes) e a Alemanha (um padre para cada 4.500 habitantes).

Numa tentativa de enfrentar a situação das paróquias sem sacerdotes, impedidas de celebrar a Eucaristia, o papa Bento 16 recomendou a renovação da pastoral de vocações e a melhor distribuição do clero no mundo. A idéia de ordenar homens casados foi rejeitada, reafirmando o valor do celibato sacerdotal.

Situação dolorosa

- Não tem nada para redistribuir. Faltam padres no Brasil, no terceiro mundo e também no primeiro -  diz o vaticanista Marco Politi. - Os bispos discutiram este assunto. Mas não tiveram a coragem de aprovar a ordenação de homens casados de virtude reconhecida, que estariam dispostos a ter a ordem sacerdotal e amenizariam o problema da falta de vocação - afirmou.

No documento Sacramentum Caritatis, assinado pelo papa Bento 16 e divulgado pelo Vaticano nesta terça-feira, a escassez de padres é considerada "situação dolorosa". - Isto acontece não só em algumas zonas de primeira evangelização, mas também em muitos países de tradição cristã - diz o documento.

Bento 16 sugere também um esforço dos fiéis, para que se desloquem a uma das igrejas da diocese onde está garantida a presença do sacerdote.

Mesmo na América Latina, o problema enfrentado pelo Brasil fica evidente nos números. A Argentina tem um sacerdote para cada 6.800 e a Colômbia, um para cada 5.600. A média do México, o segundo maior país católico do mundo, apesar de superior, é a que mais se aproxima da do Brasil: um sacerdote para cada 9.700 habitantes.

Segundo especialistas, a igreja no País não sofre apenas com a escassez de padres, mas também com a baixa formação educacional dos novos seminaristas.

Celibato

Segundo o especialista em religiões Aldo Natale Terrin, professor de Antropologia e História das Religiões da Universidade Católica de Milão, mais homens se dedicariam ao sacerdócio se tivessem permissão para se casar. - Enquanto o Vaticano insistir que é possível manter o celibato, o número do clero permanecerá insuficiente e os crimes sexuais envolvendo padres seguirão acontecendo - disse Terrini à BBC Brasil.

- Sabe-se que 50% dos sacerdotes brasileiros têm amantes. Esta prática sul-americana de não cumprir o voto de castidade está se espalhando pela Europa e pelos Estados Unidos - afirmou Terrin.  - A igreja não faz nada - completou.

Uma pesquisa divulgada em 2004 pelo Ceris sobre o perfil dos padres brasileiros já apontava a dimensão do problema: 41% deles confirmaram ter tido envolvimento afetivo com mulheres.

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