Os motores começaram a aquecer de novo na disputa societária entre o gestor de fundos Opportunity e a Telecom Italia pelo controle da Brasil Telecom .
Os dois sócios têm até 19 de julho para solucionar a sobreposição de licenças na exploração da telefonia móvel na região Centro-Sul, de acordo com o prazo estabelecido pela Anatel há um ano, quando autorizou a volta da Telecom Italia ao grupo de controle da Brasil Telecom.
A presidente da operadora Brasil Telecom, Carla Cico, afirmou nesta quinta-feira a analistas estrangeiros que confia que a agência reguladora respeitará esse prazo.
"Com base em outras situações como essa, acredito 100 % que o prazo será respeitado. Não vejo como o regulador possa alterar isso", afirmou.
Até agora, a Telecom Italia não conseguiu retomar assento no Conselho de Administração da Brasil Telecom, apesar de decisões favoráveis embora com restrições da Anatel e do Cade. Uma liminar obtida pelo Opportunity na Justiça do Rio de Janeiro impossibilita até agora essa volta.
Para analistas de telecomunicações, a solução da disputa societária será o principal catalisador para alta das ações da empresa, que foram as únicas baixas do dia na Bovespa. As projeções de desempenho operacional em 2005 também decepcionaram os analistas.
A Merrill Lynch afirmou em relatório que vê potencial de retorno maior aos acionistas da Brasil Telecom, mas mantém recomendação "neutra" para as ações da empresa. "Acreditamos que isso (retorno maior) seja improvável até que o o conflito entre Opportunity e TI não se resolva", afirmaram os analistas.
Retomando correspondência iniciada há um ano com a Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, a associação que representa investidores minoritários no Brasil enviou nova carta na quarta-feira alertando para "conflito de interesses" se a Telecom Italia voltar ao controle da Brasil Telecom.
"O que poderia ocasionar a quebra do seu dever fiduciário e violar os princípios éticos de governança corporativa, utilizando sua representação no Conselho da BT em prol dos seus próprios interesses, causando prejuízos dos demais acionistas da Companhia", afirmou o presidente da Animec, Waldir Luiz Corrêa.
Ele prossegue afirmando que a Telecom Italia não tem demonstrado intenções de negociar uma solução favorável aos dois lados dentro do prazo estabelecido pela Anatel.
"Essa situação, e a possibilidade de a Anatel impor sanções que poderiam prejudicar os negócios da Brasil Telecom, causando maiores danos aos acionistas minoritários da Companhia, tornam imprescindível que os reguladores relevantes de mercado estejam a par da situação", argumentou Corrêa.