O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira a suspensão da exigência de licenças prévias para as importações brasileiras adotada pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior na segunda-feira.
- Essa medida foi mal interpretada, causou ruídos - disse Mantega a jornalistas.
Segundo o ministro, a exigência das licenças, que seriam concedidas em um prazo de até 10 dias após a solicitação, havia sido imposta para que o governo pudesse fazer um monitoramento mais preciso da balança comercial, diante da crise global.
Mas a medida, que afetaria cerca de 60 por cento das importações brasileiras em um momento de forte deterioração das contas comerciais brasileiras, gerou intensas críticas por parte da indústria.
Na terça-feira, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgou nota pedindo a revogação da medida.
A Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) também afirmou que a licença, anunciada repentinamente, acarretaria custos ao setor e possíveis problemas com fornecedores.
Mantega disse ter conversado por telefone com o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, que está na África, e que os dois concordaram com a revogação do licenciamento.
Com o recuo, a maior parte das importações do país volta a ser dispensada de uma licença, demandando apenas um registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).