Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Brasil se acomodou como mero exportador de <i>commodities</i>, diz economista

Sexta, 16 de Janeiro de 2009 às 10:58, por: CdB

O economista chileno Gabriel Palma afirmou em entrevista a jornalistas, nesta sexta-feira, que o Brasil se acomodou como um mero exportador de commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional) e por isso, durante os últimos 50 anos, reduziu o nível de industrialização. Em sua última participação durante o Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macrodesenvolvimento Econômico (Laporde, na sigla em inglês), Palma disse que o país padeceu do mesmo mal de outros países latino-americanos ricos em recursos naturais e, agora, terá que criar uma séria política industrial se quiser alcançar índices de crescimento mais altos.

– Hoje, não há uma política industrial verdadeira no Brasil. O que há é crédito para a indústria – criticou ele, citando as medidas anunciadas pelo governo federal no ano passado para estímulo do setor industrial brasileiro.

Para ele, a economia brasileira tem um grande potencial, mas ele precisa ser mais bem aproveitado.

– O Brasil tem que ser o transformador de commodities do mundo, parar de exportar minério e começar a exportar aço, por exemplo. Há um espaço aberto na economia e o Brasil tem que aproveitar – disse.

Palma, que é professor da Universidade de Cambridge e estudioso da economia da América Latina e Ásia, afirmou que, nos anos 60, o Brasil tinha um nível de industrialização mais alto do que outros países com características semelhantes. Entretanto, a partir de 1980, esse nível começou a cair, devido, principalmente, à falta de investimentos.

– O Brasil se acomodou como exportador de soja e outras commodities, assim como outros países latinos. Sem indústria, o Brasil pode continuar crescendo, em média, 3% ao ano. Crescerá até um pouco mais, como cresceu nos últimos anos. Porém, nunca crescerá 6%, 7%, assim como crescem países asiáticos que apostaram na indústria – afirmou ele.

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