O Brasil não vai mais renovar o acordo mantido com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em anúncio realizado na manhã desta segunda-feira, o Ministério da Fazenda informou que o contrato, mantido desde 1998, será dispensado. O acordo com o fundo servia como uma espécie de socorro em caso de crises crises externas e desconfiança dos credores com o pagamento de sua dívida, a exemplo do que ocorreu em 2002 antes das eleições presidenciais.
Segundo o ministro Antonio Palocci, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, o país pode prescindir desta salvaguarda devido aos sinais positivos e constantes oferecidos pela economia brasileira, ao longo dos últimos anos.
O atual acordo vence na próxima quinta-feira, mas o FMI já foi comunicado acerca da decisão brasileira. Há cerca de um mês, o FMI aprovou a décima e última revisão do acordo com o país. Em relatório, divulgado nesta sexta-feira, o Fundo afirmou que a economia brasileira desfruta das melhores condições nas últimas décadas, no setor financeiro, embora peça às autoridades para manterem a inflação sob controle.
O FMI comentou ainda que, apesar de as exportações terem liderado a recuperação, a demanda doméstica também cresceu significativamente em 2004. O contrato com o Fundo, fechado em setembro de 2002, disponibilizou ao país US$ 42,1 bilhões. Desse valor, o Brasil sacou apenas US$ 26,4 bilhões.
Inicialmente o acordo vencia em dezembro de 2003, mas foi renovado até este mês. Pelo acordo, o governo brasileiro se comprometeu a ter superávit primário de 4,25% do PIB.