O governo brasileiro anunciou, nesta quinta-feira, a ampliação do embargo às compras de carne fresca e animais de toda a Argentina, devido à confirmação de um foco de febre aftosa no país. Estão liberadas as importações de carnes sem osso maturadas ou industrializadas provenientes de outras províncias que não a de Corrientes, onde o foco foi registrado. Para esta província, o embargo é mais amplo, incluindo produtos industrializados.
Na noite de quarta-feira, dia em que o governo argentino comunicou o registro da aftosa, o Brasil já havia anunciado a suspensão da importação de carne bovina da província argentina, como medida imediata. Nesta quinta-feira, técnicos do ministério viram a necessidade de ampliar o embargo. Suínos, bubalinos, caprinos e ovinos, animais cujo casco é rachado, também são suscetíveis à aftosa.
Em 2005, o Brasil importou cerca de 30 milhões de dólares de carne bovina da Argentina, segundo a Abiec, entidade brasileira que reúne os exportadores. Na balança comercial bilateral de todas as carnes, o Brasil tem superávit de 5,63 milhões de dólares com a Argentina. O mercado brasileiro exporta 41,37 milhões de dólares ao parceiro do Mercosul e importa 35,74 milhões de dólares. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, com vendas de cerca de 3 bilhões de dólares no ano passado.
A Argentina, terceiro maior exportador mundial do produto, vendeu ao exterior 1,39 bilhão de dólares em 2005. O país vizinho, que havia registrado seu último caso da doença em 2003, anunciou na quarta-feira a contaminação de 70 animais de San Luis del Palmar, distante cerca de 25 quilômetros da fronteira com o Paraguai e a cerca de 300 quilômetros do Brasil. Segundo o diretor da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, Ricardo Cotta, inicialmente a aftosa na Argentina pode ter um impacto comercial positivo para o Brasil, já que muitos países que embargaram a carne brasileira após os focos em Mato Grosso do Sul e Paraná podem voltar a comprar do Brasil, por falta de outras opções.
- Momentaneamente, é uma oportunidade de negócios para o Brasil, porém demonstra um problema continental - disse ele em uma entrevista coletiva em Brasília, salientando que o registro da doença na Argentina, sob um ponto de vista mais amplo, também não é positivo para os brasileiros, já que isso demonstra que o vírus está próximo da fronteira.
O ideal, acrescentou ele, seria a erradicação da doença em toda a região.
Brasil resolve ampliar o embargo à carne argentina
O governo brasileiro anunciou, nesta quinta-feira, a ampliação do embargo às compras de carne fresca e animais de toda a Argentina, devido à confirmação de um foco de febre aftosa no país. (Leia Mais)
Quinta, 09 de Fevereiro de 2006 às 13:12, por: CdB