O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebeu na última sexta-feira (2) em Maputo, capital de Moçambique, apoio à entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, durante a visita de cortesia que fez ao presidente, Joaquim Chissano. De acordo com a Assessoria de Comunicação do Itamaraty, autoridades moçambicanas, entre elas, o chanceler Leonardo Simão; e os ministros dos Recursos Minerais e Energia, Castigo Langa; da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Helder Mutéia; da Saúde, Francisco Songane, e da Indústria e Comércio, Carlos Morgado, demonstraram também grande satisfação pelo fato de a visita do chanceler brasileiro ter sido voltada exclusivamente para o relacionamento bilateral – encontros anteriores com autoridades dos dois países foram realizadas apenas no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Nos encontros realizados durante os dois dias em que esteve em Moçambique, Celso Amorim pôde perceber o interesse para que investidores e empresários brasileiros participem da New Partnership for Africa's Development (Nepad), uma carteira de investimentos em projetos de desenvolvimento voltados para a melhoria dos indicadores sociais africanos. O chanceler brasileiro reiterou a prioridade africana na política externa brasileira e afirmou que o Brasil demonstrará essa prioridade passando do campo da retórica para ações concretas de cooperação. Amorim citou a visita que o presidente Lula fará à África, provavelmente em agosto, acompanhado de missão empresarial. Dentre os assuntos abordados por Celso Amorim em Moçambique, os principais foram os projetos integrados com participação da Vale do Rio Doce (CVRD) na exploração do carvão da região de Moatize, para abastecimento do mercado brasileiro; a instalação de uma aluminiaria, integrada com projeto de hidroeletricidade, e também de duas siderúrgicas, que serão construídas para abastecimento do mercado asiático de placas de aço. Segundo o Itamaraty, o ministro Amorim deixou claro ao presidente Chissano o interesse e o empenho do governo brasileiro para que possam prosperar as conversações da CVRD, tendo em vista a importância de dispor de um "projeto-âncora" que possa consolidar e expandir as relações bilaterais, como um fator multipicador das atividades empresariais. Durante os encontros em Maputo, foi abordado ainda a perspectiva de cooperação para aproveitamento do potencial hidrelétrico do Rio Zambeze na ampliação da produção energética em Moçambique. O governo brasileiro deverá enviar brevemente uma missão técnica do setor elétrico com a participação de agências reguladoras para analisar tal possibilidade. No setor de agricultura, o chanceler discutiu, no âmbito do Memorando de Entendimento Embrapa-Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, projetos de transferência de tecnologia na área de doenças animais; produção de vacinas e plantios diversos, como soja e mandioca. Celso Amorim tratou também da construção de uma fábrica de medicamentos anti-retro-virais com tecnologia brasileira, para combate à Aids. Os recursos sairiam da dívida de Moçambique com o Brasil, de cerca de US$ 15 milhões – esse montante corresponde a 5% da dívida original, de cerca de US$ 330 milhões, que foi em sua maior parte (95%) cancelada em 2000. Também foi dada ênfase ao treinamento de técnicos moçambicanos para tratamento e prevenção da Aids. Celso Amorim está neste sábado no Zimbábue, o segundo país de seu roteiro pela África. No próximo domingo o embaixador irá para São Tomé e Príncipe, e na segunda e terça-feira (5 e 6) estará em Angola. Nos dias 7 e 8 visitará a África do Sul onde presidirá a II Reunião da Comissão Mista Brasil-África do Sul e no dia 9, encerrará a viagem na Namíbia. No Zimbábue, aproveitando uma escala técnica da aeronave da Força Aérea Brasileira que o transporta pelos seis países da viagem, o chanceler manterá contato com algumas autoridades locais. E
Brasil recebe apoio para entrada no Conselho de Segurança da ONU
Sábado, 03 de Maio de 2003 às 11:45, por: CdB