Rio de Janeiro, 02 de Maio de 2026

Brasil quer manter Tratado Automotivo com Argentina

A delegação brasileira no Grupo de Trabalho Automotivo Brasil-Argentina desembarca em Buenos Aires, nesta segunda-feira, disposta a brigar por pelo menos a manutenção das atuais condições do comércio de carros entre os países. (Leia Mais)

Sábado, 05 de Novembro de 2005 às 16:04, por: CdB

A delegação brasileira no Grupo de Trabalho Automotivo Brasil-Argentina desembarca em Buenos Aires (Argentina), nesta segunda-feira, disposta a brigar por pelo menos a manutenção das atuais condições do comércio de carros entre os dois países. As duas delegações vão discutir os rumos do acordo no setor, que termina em dezembro de 2005.

A partir de janeiro de 2006 teria início o livre comércio de automóveis entre as duas economias. Mas, ao contrário do que estabelece o acordo, o governo argentino quer restringir ainda mais as condições para a entrada no país dos carros fabricados no Brasil. A proposta do vizinho brasileiro é alterar o mecanismo criado para administrar o comércio bilateral de carros, chamado "trade flex", diminuindo a proporção dos valores estabelecidos para a compensação entre exportação e importação. Pelo flex atual, a cada US$ 100 que um dos países exportar para o outro, poderá importar até US$ 260 sem pagar imposto de importação.

Em nota, o secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Antonio Sérgio Martins Mello, disse que essa alteração representaria um "retrocesso indesejável" no processo de integração do Mercosul.

- O Brasil defende um mercado livre, mas defende também que haja harmonia no crescimento dos mercados, da produção e dos investimentos. Temos de adotar uma política que contemple o crescimento, respeitando a proporcionalidade dos países - afirma o secretário.

A Argentina argumenta que o acordo automotivo em vigor faz com que, atualmente, 63% dos automóveis vendidos por lá sejam fabricados no Brasil. Para o governo brasileiro, o desequilíbrio pode ser explicado pela diminuição do poder aquisitivo da população vizinha que, não podendo mais comprar os veículos de maior valor produzidos no país (médios e utilitários esportivos), passaram a comprar os carros compactos brasileiros de menor valor.

O Brasil defende que, caso haja a liberalização a partir de 2006, as forças de mercado atualmente existentes continuariam a regular o comércio entre os dois países. Mas no caso de não ser possível a consolidação do livre comércio, a prorrogação das atuais condições do flex, daria aos países mais tempo para estabelecer melhores bases para um futuro acordo de livre comércio.

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