O Brasil enfatizou nesta quarta-feira a necessidade de as negociações da prolongada Rodada de Doha de comércio serem concluídas antes de o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, assumir seu novo posto em janeiro.
O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse à Reuters que a chegada a um acordo nas negociações para a abertura do comércio global pode enviar um forte sinal para a economia mundial, ameaçada pela crise financeira.
Um acordo sobre uma proposta inicial pode poupar Obama de ter que lidar com assuntos comerciais complexos logo após sua posse em janeiro, acrescentou Amorim, em Genebra.
— As coisas serão facilitadas para o presidente eleito Obama se nós conseguirmos finalizar a proposta até o fim deste ano. Isso vai livrá-lo de escolhas bastante difíceis no início de seu governo — afirmou.
O Brasil, tido como potência agrícola, é um dos defensores mais interessados em um acordo na rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), lançada sete anos atrás, que poderia reduzir os subsídios concedidos a produtores pelas nações desenvolvidas.
Especialistas em comércio disseram que as negociações podem atrapalhar a agenda política se nenhum acordo inicial for fechado até Obama assumir a presidência, e que uma nova administração poderia desfazer alguns pontos já acordados.
Amorim, comemorando a vitória de Obama como o triunfo da esperança pelo fim do preconceito, descartou a idéia de que uma administração democrata nos EUA possa ser mais protecionista que a republicana e menos aberta para concluir o acordo comercial.
— Eu não acho que demorará mais. Eles têm mais com que se preocupar no setor de manufaturas do que com os problemas agrícolas que enfrentamos, e os democratas são também mais multilaterais — disse.