Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Brasil propõe ao G20 uma política global anticíclica para a crise

O Brasil vai propor ao G20 a criação de comissões para tratar do que considera os três grandes "eixos" decorrentes da crise mundial: A reconstituição do sistema financeiro, nova regulação e adoção de políticas anticíclicas globalmente. (Leia Mais)

Sexta, 07 de Novembro de 2008 às 09:46, por: CdB

O Brasil vai propor ao G20 a criação de comissões para tratar do que considera os três grandes "eixos" decorrentes da crise mundial: A reconstituição do sistema financeiro, nova regulação e adoção de políticas anticíclicas globalmente. A idéia foi detalhada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos anfitriões da reunião que acontece neste final de semana em São Paulo com ministros da área e presidentes de bancos centrais das 19 principais economias do mundo mais a União Européia.

– O que já foi feito é positivo e necessário, mas não é suficiente porque até agora nós não conseguimos restabelecer o sistema de crédito em bases mínimas. O sistema financeiro mundial não está funcionando. Nossa idéia é canalizar esse evento para que ele possa desembocar em propostas de comissões que se formem para abordar cada um dos grandes itens que dizem respeito a essa crise – avaliou Mantega.

Para Mantega, o tema mais emergencial é o de reconstrução do sistema financeiro, para fazer com que os empréstimos interbancários voltem a fluir e que o crédito chegue às empresas.

– Sem o crédito, a máquina da produção mundial não funciona adequadamente e estamos assistindo uma retração econômica muito forte – argumentou.

O ministro também defendeu que as comissões seriam o melhor foro para discutir uma nova regulação dos mercados e até mesmo a criação de novas instituições de âmbito mundial.

– Nós queremos dar mais transparência ou menos? Nós queremos estabelecer níveis de alavancagem ou não? Nós queremos estabelecer marcação a mercado ou não? Isso requer um trabalho intenso de elaboração e discussão que só poderá ser feito em grupos de trabalho – afirmou.

Para Mantega, o G20 tem vantagem sobre o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) para travar essa discussão.

– Antigamente o G7 dava conta. Mas agora certamente é insatisfatório – lembrou.

Menos protecionismo

Definidos esses eixos, o G20 também trabalharia para a recuperação das economias abatidas pela crise. E a melhor forma de conseguir isso, segundo Mantega, é adotando políticas expansionistas.

– Não interessa só que o Brasil cresça, interessa que a China cresça, que a Índia cresça, a África do Sul, os Estados Unidos, a União Européia... Daí o esforço para que todos os países possam trilhar uma política expansionista. Nós temos que tomar cuidado e evitar que a saída (para a desaceleração provocada pela crise) seja de nacionalismo, de fechamento do país, mas que sejam soluções compartilhadas de modo que o caminho seja mais abertura – disse.

Mantega não teme que a chegada à Casa Branca de um democrata, com a eleição de Barack Obama, dificulte esse processo.

– Eu acredito que essa diferença entre democratas e republicanos, na conjuntura atual, fica minimizada porque é um momento em que todo mundo adota políticas pragmáticas. Este é o momento do pragmatismo – concluiu.

Encontro preliminar

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reuniram-se pela manhã com presidentes de BCs da Rússia, Índia, China, África do Sul e do México. A reunião antecede o encontro do G20 financeiro neste sábado e no domingo, do qual deve participar também o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Para a próxima semana está marcada a reunião anual em Washington, nos Estados Unidos.

A agenda de Meirelles incluia almoço-palestra na Câmara Americana de Comércio e reuniões com o presidente do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, e com o subsecretário para Assuntos Internacionais do Tesouro americano, David McCormick.

O G20 financeiro é composto pelos ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais de 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. O outro componente é a União Européia, representada no grupo pela presidência rotativa do Conselho da União Européia e pelo Banco Central Europeu.

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