Em um encontro encerrado nesta sexta-feira na capital da Nova Zelândia, Wellington, 82 países assinaram o projeto de concluir, em maio deste ano, um acordo internacional "legalmente vinculante proibindo as munições-cacho, que causam sofrimento inaceitável a civis" em zonas de conflito. O Brasil, que produz, exporta e estoca esse tipo de armamento, permaneceu apenas como observador da conferência e ficou de fora da declaração internacional. Essa atitude mantém a linha do Itamaraty de se opor às negociações do chamado Processo de Oslo, iniciado na capital norueguesa no ano passado.
Também conhecidos como bomba lança-granadas, esses artefatos carregam dentro de si centenas de submunições que são liberadas na queda liberam, podendo fazer vítimas em uma área equivalente a quatro campos de futebol.
Segundo a Cruz Vermelha, cerca de 400 milhões de pessoas vivem em áreas afetadas pelas bombas-cacho em países como Iraque, Afeganistão e Líbano. No Brasil, a organização humanitária Human Rights Watch afirma que os armamentos são fabricados pela Avibras, Ares, Target e Britanaite Indústrias Químicas, e exportados pelo menos para Irã, Iraque e Arábia Saudita.
Segundo a ONG, pesquisas no Sudeste Asiático mostram que pelo menos 60% das mortes por causa de sub-munições não explodidas são crianças.