Mesmo após o desastre registrado no ano passado na Base de Alcântara, o Brasil pretende colocar em órbita um satélite com meios próprios em 2006. O anúncio foi feito pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.
Campos fez o anúncio ao empossar o novo presidente da Agência Espacial Brasileira, Sergio Gaudenzi, que disse estar disposto a retomar o programa espacial "o mais rápido possível".
As ambições brasileiras de chegar ao espaço minguaram no ano passado quando a explosão de um foguete que se preparava para lançar ao espaço um satélite de fabricação nacional matou 21 técnicos na Base de Alcântara, no Maranhão. Com o desastre, morreram vários dos técnicos mais qualificados do programa espacial, que foi suspenso enquanto eram investigadas as causas da tragédia, finalmente atribuída a uma falha elétrica.
Segundo disse hoje Gaudenzi, a intenção agora é que a meta para colocar em órbita um satélite próprio com um lançador de fabricação nacional se cumpra no primeiro semestre de 2006.
Até agora, o Brasil fracassou três vezes na busca por esse objetivo. Primeiro, em 1997, quando o protótipo inaugural do programa conhecido como "Veículo Lançador de Satélites" (VLS) teve que ser destruído, apenas 65 segundos depois do decolagem, por problemas técnicos que lhe desviaram de seu curso.
Em 1999, o segundo VLS nem sequer conseguiu decolar, e o terceiro explodiu em terra em agosto do ano passado.
Com o programa VLS, o Brasil tenta entrar no minoritário clube de países capazes de chegar ao espaço por seus próprios meios, que até agora só tem como membros China, Estados Unidos, França, Índia, Israel, Japão, Rússia e Ucrânia, que dividem um mercado de cerca de US$ 45 bilhões anuais.