Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Brasil precisa investir mais em pesquisas oceanográficas

Um programa sustentado de observações e monitoramento é fundamental para se entender as mudanças no Atlântico Sul e para que o Brasil se prepare para os impactos das mudanças climáticas. O alerta foi feito pelo físico Edmo Campos, professor do Instituto Oceanográfico, da Universidade de São Paulo.

Sexta, 30 de Julho de 2010 às 11:04, por: CdB

Um programa sustentado de observações e monitoramento é fundamental para se entender as mudanças no Atlântico Sul e para que o Brasil se prepare para os impactos das mudanças climáticas. O alerta foi feito pelo físico Edmo Campos, professor do Instituto Oceanográfico, da Universidade de São Paulo (IO-USP), durante sua conferência Mudanças Climáticas: A Importância do Oceano, na 6ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu em Natal (RN). Campos apresentou alguns fatos tidos cientificamente como inegáveis. Entre eles, o de que as atividades humanas têm alterado a composição da atmosfera desde eras pré-industriais e que, atualmente, projeções da concentração de CO2 durante o século XXI são de duas a quatro vezes mais altas do que o nível no período pré-industrial. – É fato inegável que tem havido crescente aumento de gases que produzem o efeito estufa associado com atividades humanas –, disse o pesquisador. – E há fortes evidências que esses gases estão contribuindo para o aumento da temperatura média do planeta. Além disso, há fortes indícios de que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos pode ser atribuída a atividades humanas. É aí que entra o papel do oceano. Mas também começam os problemas. Campos explicou que, por ocupar cerca de 70% da superfície do planeta, e devido à alta capacidade térmica da água, o oceano desempenha papel fundamental no clima e em sua variabilidade. O problema é que as atividades humanas começam a interferir nesses processos. – O oceano já começou a dar sinais de mudanças: aumento da temperatura média; alterações no padrão de circulação, aumento no nível médio e aumento de sua acidez. O pior é que mesmo que humanidade parasse de injetar dióxido de carbono na atmosfera, a resposta oceânica deverá continuar ainda por séculos. Nessa resposta está incluído o aumento da incidência e da força de tempestades e furacões. O ciclone extratropical Catarina, que atingiu a região sul do Brasil em março de 2004 e é considerado o primeiro furacão do país, é um exemplo do que pode vir daqui para frente. É por isso que Campos defende que o Brasil invista mais em pesquisas oceanográficas. – Estamos na idade da pedra em termos de observação em larga escala do oceano –, disse. – Estamos na contramão do progresso geral da ciência oceanográfica. Segundo ele, mais conhecimento sobre o oceano não fará com que se consiga mudar o que está acontecendo, mas permitirá que seja possível a adaptação às novas condições climáticas. – Poderemos sugerir às próximas gerações o que elas devem fazer para viver –, conclui.

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