Transformar o Brasil em país desenvolvido, com inclusão social avançada, seguindo os melhores desempenhos globais, custará R$ 7,2 trilhões de investimentos sociais, em valores atuais, acumulados no período de 2005 a 2020. Isso representa acréscimo de R$ 450 bilhões anuais, em valores atuais, durante 15 anos, aos gastos hoje executados na área social (educação, saúde, habitação, cultura, informática, combate à pobreza, reforma agrária e previdência social). A projeção faz parte de um estudo desenvolvido por um grupo de 17 pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), liderados pelo economista Márcio Pochmann, e apresentado na publicação " Volume 5 - Atlas da Exclusão Social - Agenda Não Liberal da Inclusão Social no Brasil".
O livro, lançado nesta quinta-feira em São Paulo e que terá apresentação oficial durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, na próxima semana, propõe uma "agenda" de investimentos sociais necessários para elevar o País a níveis intermediários ou avançado de desenvolvimento ou, como dizem seus elaboradores, "dimensiona o tamanho do déficit social do Brasil" comparativamente aos melhores desempenhos no mundo desenvolvido.
Na avaliação de Pochmann, como acontece em quase todos os países subdesenvolvidos, a "organização da área econômica desorganiza a área social" no Brasil.
- Estamos prisioneiros da visão de curto prazo e das metas econômicas. Hoje, o mercado fica nervoso quando não batemos metas fiscais ou de indicadores econômicos, mas e quando não atingimos desenvolvimento social? Como a sociedade reage? - indagou Pochmann, em entrevista coletiva.
- É preciso compatibilizar as metas econômicas com as sociais e estamos pensando no Brasil daqui a 15 anos - afirmou, ao cobrar dos governos o estabelecimento de metas sociais e a criação de equipes organizadas e de acompanhamento da execução das metas.
O levantamento dos pesquisadores revela que, se mantido o nível atual de investimentos na área social, em 2020 o País estará em situação pior do que a atual, em termos relativos. Dessa maneira, o estudo contradiz a projeção divulgada esta semana por estudo coordenado pela agência de inteligência dos Estados Unidos (CIA), no qual o Brasil, ao lado de China e Índia poderá se tornar uma potência mundial nos próximos 15 anos.
- Não sei se o estudo da CIA considera a governabilidade de um país com alta exclusão social ou com violência superior à de países em estado de guerra civil, o que acontece hoje com o Brasil e que pode ser agravado se não expandirmos os investimentos sociais - comentou o economista.
- O fato é que o Brasil enfrentou com sucesso o gargalo econômico, pois deixou de ser a 58.ª economia mundial, nos anos 30, para ser a 7.ª, nos anos 70, e hoje é a 15.ª. Expandir-se economicamente não significa se enfrentaremos os problemas sociais - adicionou.
Educação
Sem contar os investimentos em previdência social, São Paulo é o Estado com maior demanda por recursos para tornar-se desenvolvido, necessitando de recursos de R$ 1,4 trilhão, em valores atuais, entre 2005 e 2020.
- Isso se justifica pela densidade populacional do Estado - justificou Pochmann. Apenas em educação, São Paulo teria de investir, em valores atuais, R$ 446,60 bilhões nos ensinos médio e superior, nos próximos 15 anos, para atingir um nível avançado de desenvolvimento.
No País, a agenda proposta para o setor de educação exige, por exemplo, investimentos acumulados de R$ 1,71 trilhão no período, com a inclusão de 5 milhões de alunos nos ensinos médio (1,90 milhão) e superior (3,1 milhões), além da construção de 48,2 mil salas de aula, contratação de 631 mil professores e criação de 141 mil turmas, em todo território nacional.
- Só assim atingiremos um padrão de ensino médio já verifi
Brasil precisa de R$ 7,2 trilhões para se tornar desenvolvido em 15 anos
Quinta, 20 de Janeiro de 2005 às 13:33, por: CdB