Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista científica Science estima que o Brasil precisaria de US$ 6,5 bilhões a US$ 18 bilhões para acabar com o desmatamento da Amazônia entre 2010 e 2020.
Segundo a pesquisa, se o Brasil pusesse fim ao desmatamento da região, as emissões globais de CO2 cairiam entre 2% e 5% em relação aos níveis atuais.
O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), dos grupos Aliança da Terra, Environmental Defense Fund (EUA) e Woods Hole Research Center, e das universidades da Flórida (EUA), Rey Juan Carlos (Espanha), Federal de Minas Gerais e Federal do Pará.
O artigo O fim do desmatamento na Amazônia brasileira foi publicado em uma seção sobre políticas de ciência da revista.
Os cientistas usaram um modelo econômico da região da Amazônia que estima a expansão da atividade agropecuária na região ao longo dos anos.
– Nossos modelos econômicos integram a melhor informação disponível em solos, estradas e custos de produção para capturar a lógica econômica dos fatores que lideram o desmatamento na Amazônia –, escreve Britaldo Soares Fillho, da UFMG, um dos autores do artigo da Science.
A pesquisa também sugere medidas que o governo brasileiro deveria tomar para reduzir o desmatamento, como o apoio a pequenas comunidades florestais que fazem exploração sustentável do ambiente, benefícios a pecuaristas e fazendeiros que não desmatam, melhora nas leis ambientais e de segurança e investimento em áreas de proteção.
Para outro autor do artigo – Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Center – forças do mercado e a vontade política do Brasil estão se formando uma oportunidade sem precedentes para pôr fim ao desmatamento na Amazônia brasileira com 80% da floresta ainda de pé.
O artigo ressalta que o Brasil diminuiu o nível de desmatamento em 64% desde 2005.