A conturbada passagem de Jaime Oncins como capitão da equipe brasileira na Copa Davis terminou na última quarta-feira e durou apenas 18 dias. Substituto de Ricardo Acioly, o ex-tenista desencadeou, sem querer, a maior crise do tênis nacional.
Tudo porque os jogadores se irritaram por não terem sido consultados sobre a troca no comando da equipe, além de exigirem a renúncia do presidente da Confederação, Nelson Nastás. E o Brasil, depois de ficar sem Gustavo Kuerten, Flávio Saretta e André Sá, agora está também sem capitão.
Tudo isso a menos de um mês do confronto contra o Paraguai, válido pelo Zonal Americano, uma espécie de segunda divisão da competição. Há enorme possibilidade de o Brasil não conseguir formar um time para o próximo compromisso, entre os dias 9 e 11 de abril, na Costa do Sauípe (BA).
Além de Guga, Saretta e Sá, também já disseram que não jogariam em caso de convocação Franco Ferreiro, Francisco Costa, Pedro Braga e Ronaldo Carvalho. Assim, o Brasil teria como possíveis opções Ricardo Mello (132º no ranking da ATP), Marcos Daniel (192º) e Bruno Soares (266º). Mas Ricardo Mello e Marcos Daniel têm bom relacionamento com Guga e seria improvável que aceitassem uma convocação.
O maior prejudicado com toda essa polêmica foi Oncins, que se desgastou e chegou a ser apontado como principal responsável pela desistência dos jogadores em disputar a Copa Davis.
- É preciso ficar claro que não tive problema com nenhum deles - garantiu Oncins.
Para o ex-tenista, questões políticas e a falta de investimento da CBT foram os principais motivos para o rompimento com o presidente Nastás.
- Sabia que corria o risco de não conseguir apaziguar os ânimos. Mas saio com minha cabeça erguida e ciente de que fiz tudo que podia para evitar esse desfecho - garantiu.
Segundo Oncins, a única possibilidade de o país contar com seus principais jogadores para o confronto com o Paraguai é a renúncia de Nastás.
- Os jogadores estão irredutíveis. Ficou bem claro que nenhum deles volta atrás. Mas pelas entrevistas que o Nastás vêm dando, acho difícil que ele saia.
Há somente um registro de W.O. na história da Copa Davis. Na década de 70, a seleção da África do Sul se recusou a ir à Índia e foi declarada desistente. Sofreu suspensão de três anos.
- Agora não sei quem vai jogar - acrescentou Oncins.
Brasil pode perder por W.O. na Copa Davis
Quinta, 11 de Março de 2004 às 02:02, por: CdB